Imbra, o golpe perfeito dos dentes perfeitos?

Pouco antes de quebrar, a maior rede de implantes dentrios do Brasilfoi vendida por R$ 1 pela GP. Mais de 25 mil pessoas foram lesadas. A GP vai assumir o rombo?

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Claudio Julio Tognolli_247 - Numa quarta-feira, dia 6 de outubro de 2010, a Imbra, tida e havida como um imbatível gigante de implantes odontológicos, com sede em São Paulo, fechou as portas: declarou à Justiça uma dívida impagável, no valor de R$ 221 milhões. Em todo o Brasil fecharam-se 27 clínicas. Um lote de e 25 mil clientes ficaram sem futuro e com rombos de milhares de reais. Mas a situação mudou de figura: no próximo dia 31 de maio a 2ª Vara de Falência e Recuperação Judicial de São Paulo fará a primeira audiência do processo de autofalência da Imbra. Serão ouvidos todos os diretores, que ocuparam cargos no negócio nos últimos cinco anos.

Para os clientes, é o momento de levar seus advogados a audiência, para encontrar o endereço real dos acionistas. Isso porque, dispondo de uma intrincada rede de “laranjas”, a Imbra costuma não comparecer as audiências, a maioria delas tocada pelos clientes lesados em juizados de pequenas causas. O cliente roubado não tem quem acionar na justiça, até por falta de endereços certos para intimar os réus.

O que está por detrás da quebra da Imbra é um intrincado golpe. Ela era controlada por gestora de private equity, a GP, e foi vendida ao Grupo Arbeit em junho do ano passado. GP e Arbeit vão litigar feio no dia 31 de maio.

Em maio de 2010 a GP Investments, comandada pelo executivo Antonio Bonchristiano, fechou contrato para repassar a rede de clínicas odontológicas Imbra a um novo controlador , um ano e meio depois da aquisição do controle da rede especializada em implantes ( em setembro de 2008), e de investimentos totais de US$ 140 milhões. A GP entregou 78,9% do negócio pelo valor simbólico de US$ 1 a Arbeit assumiu a operação. Nos tribunais, a Arbeit tentará comprovar que a responsabilidade pela quebra e pelos prejuízos deixados a milhares de clientes é da GP, e não deles.

Fersen Lambranho e Antonio Bonchristiano, os executivos que desde 2004 dão as cartas na GP, fecharam o negócio. No curriculum dos dois, composto der 12 empresas, há pelo menos outras duas que acenderam o sinal amarelo há dois anos: a Magnesita e a San Antonio International, que fornece equipamentos de petróleo.

Pouco antes da quebra, a Imbra montou um time de operadores que telefonavam a clientes, ofertando descontos inacreditáveis, acima de 20%, para tratamentos acima de RS$ 10 mil. Mas só aceitavam como pagamento cartões de crédito. Com isso, clientes que faturaram tratamentos dentários não realizados continuam pagando aos cartões – já que juízes, em geral, vêem nos cartões simples facilitadores de compra, e portanto sem culpa no cartório.

As assessorias de GP e Arbeit informam que não haverá manifestação sobre o caso enquanto ele estiver tramitando em juízo. Depois da “dentada”, clientes da Imbra esperam a audiência de 31 de maio para saber a quem processar pelos prejuízos causados.

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