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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, Ibovespa fecha em queda

Minério de ferro, petróleo e juros nos EUA ditam o tom negativo do pregão e ampliam perdas da bolsa brasileira

Painel da bolsa em São Paulo - 21/03/2019 (Foto: REUTERS/Nacho Doce)
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Reuters - O Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro nesta sexta-feira, após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano elevarem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,77%, a 169.019,12 pontos, chegando a 168.909,87 pontos na mínima e marcando 170.457,37 pontos na máxima do dia.

Na semana, acumulou um declínio de 2,74%, completando oito perdas semanais seguidas, a maior sequência na série histórica até 1982, conforme dados da LSEG.

O volume financeiro nesta sexta-feira, entrecortada pelo feriado de Corpus Christi na quinta- feira e o fim de semana, somou R$26,58 bilhões.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho divulgou que foram abertas 172.000 vagas de emprego fora do setor agrícola em maio, acima de previsões no mercado, com revisão para cima dos dados de abril. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.

No fim da tarde, segundo a ferramenta FedWatch da CME, o mercado precificava uma probabilidade de 42,8% de o Federal Reserve elevar a taxa de juros para um intervalo entre 3,75% e 4%, da faixa atual entre 3,50% e 3,75%. Na véspera, a chance era de 38,2%.

O FedWatch também mostrou uma probabilidade maior para a taxa chegar ao intervalo de 4% a 4,25% na última reunião do ano -- de 22,4%, ante 10,9% na quinta-feira.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, recuou 2,64%, pressionado ainda pela queda em ações de empresas de tecnologia.

DESTAQUES

• VALE ON caiu 3,78%, na esteira do declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com queda de 0,91%. No setor, CSN ON desabou 10,18%, USIMINAS PNA cedeu 1,31%, GERDAU PN mostrou declínio de 2,69% e CSN MINERAÇÃO ON perdeu 2,89%. Analistas do Citi chamaram a atenção para dados sobre as exportações de minério de ferro do Brasil em maio, mostrando queda para 28 milhões de toneladas. "A combinação de volumes menores de exportação e fretes excepcionalmente elevados...deve exercer pressão relevante sobre a rentabilidade de alguns exportadores de minério de ferro", afirmaram.

• PETROBRAS PN cedeu 0,87%, em meio à fraqueza dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent caiu 2,04%, a US$93,09.

• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,28%, acompanhado por BRADESCO PN, que fechou em alta de 0,58%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com variação positiva de apenas 0,04% e BANCO DO BRASIL ON caiu 1,84%.

• COPASA ON recuou 5,25%, após a companhia divulgar no final da quarta-feira que o grupo Equatorial foi o único a apresentar proposta para ser acionista de referência da companhia mineira de água e esgoto, submetendo oferta de R$49,03 por ação. Na quarta-feira, as ações da Copasa fecharam em alta de mais de 13%. EQUATORIAL ON cedeu 2,26%.

• EMBRAER ON subiu 3,82%, após divulgar que a empresa de leasing de aeronaves Azorra assinou um novo pedido firme para 15 aviões E195-E2, com direitos de compra para mais 15 jatos. O acordo eleva o total de pedidos firmes da Azorra para aeronaves E2 de 39 para 54 unidades.

• C&A ON avançou 3,84%, tendo de pano de fundo relatório do JPMorgan reiterando recomendação "overweight" para a ação, com os analistas citando valuation atrativo e melhora das tendências operacionais. O preço-alvo, porém, caiu para R$18 ante R$20, "devido a um maior custo de capital próprio". Ainda assim, representa um potencial de valorização de mais de 60% ante o fechamento da quarta-feira, de R$10,95.

• MAGAZINE LUIZA ON valorizou-se 1,87%, endossada por relatório do Citi elevando a recomendação das ações para "neutra/alto risco" ante "venda/alto risco", embora o preço-alvo tenha sido reduzido de R$7 para R$6,50. Na visão dos analistas, o mercado já precificou, em grande parte, um ambiente de juros mais altos por mais tempo e um consumo mais fraco nas principais categorias de bens duráveis do Magalu. Eles também veem alguns desdobramentos positivos no âmbito operacional.

• BRASKEM PNA perdeu 6,89%, no primeiro pregão após anunciar a consumação da venda da participação da Novonor para o IG4. Sob a nova estrutura de controle, a IG4, por meio do fundo de investimento Shine, deterá 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, enquanto a Petrobras terá 47%. A Novonor manterá 4% das ações sem direito a voto. Investidores especulam sobre uma eventual recuperação extrajudicial da petroquímica.

(Por Paula Arend Laier; edição de Igor Sodré)

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