Inflação chega a 6,5%

Resultado foi divulgado hoje pelo IBGE; a maior taxa anual desde 2004, quando ficou em 7,60%

Inflação chega a 6,5%
Inflação chega a 6,5% (Foto: DIVULGAÇÃO)
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Agência Brasil - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2011, chegou a 6,5% e ficou no limite superior da meta para o ano. O resultado do IPCA foi divulgado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, é o oitavo ano seguido em que o limite não é superado desde que o sistema de metas para a inflação foi criado, em 1999.

Por esse sistema, cabe ao Banco Central (BC) perseguir a meta de inflação que, em 2011, tinha centro de 4,5%, limite inferior de 2,5% e superior de 6,5%. Quando a inflação ultrapassa o limite, o presidente do BC tem que divulgar uma carta aberta ao ministro da Fazenda para justificar o motivo do descumprimento da meta. Isso ocorreu nos anos de 2001, 2002 e 2003.

A explicação tem que ser detalhada, com os motivos que levaram ao estouro da meta, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo em que se espera que as providências produzam efeitos. Mas o decreto que estabelece essas regras não define um prazo para que essa carta seja divulgada.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o responsável por definir a meta. Em junho de 1999, o CMN fixou o percentual em 8%, 6% e 4% para os anos de 1999, 2000 e 2001, respectivamente, com os intervalos de tolerância de 2 pontos percentuais acima e abaixo do centro. Nos dois primeiros anos do programa, a meta foi cumprida. No primeiro ano do sistema de metas, a inflação ficou em 8,9% e, em 2000, em 6%.

O primeiro ano em que o limite superior (6%) não foi cumprido foi 2001, quando a inflação chegou a 7,7%. Uma das justificativas do BC, na carta aberta assinada por Armínio Fraga, foi a desaceleração da economia mundial, o contágio proveniente da crise argentina e os ataques terroristas nos Estados Unidos. Internamente, houve crescimento acentuado dos preços administrados por contrato, principalmente das tarifas de energia elétrica, e crise de energia, que aumentou a incerteza sobre o futuro da economia brasileira.

À época, o BC usou seu principal instrumento para tentar conter a alta dos preços – a elevação da taxa básica de juros, a Selic. Em março foi feita a primeira elevação do ano da taxa, que naquele mês ficou em 15,75% ao ano e chegou a 19% em julho, mantida nesse patamar até o final de 2001. Para complementar a política de juros, a autoridade monetária também optou por elevar o percentual do recolhimento compulsório [recursos que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC] sobre depósitos a prazo e fez intervenções no mercado cambial.

O BC esperava que os choques na economia brasileira não se repetiriam na mesma magnitude no ano seguinte e com isso a tendência era que a inflação se reduzisse. Mas não foi o que aconteceu em 2002, quando o IPCA chegou a 12,5% ao ano, acima do limite superior de 5,5%.

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