Itaú joga na crise ao ligar marchas a revés econômico

Povo na rua não é bom para a economia; é o que diz relatório oficial do Itaú Unibanco sobre as perspectivas de crescimento para os próximos períodos; "Haverá consequências econômicas além do plano imediato", registrou economista Alexandre Bicalho, da instituição; acredita-se na casa bancária dos Setúbal e Moreira Salles que tudo vai piorar se a democracia explícita prosseguir; sinistrose volta à carga

Itaú joga na crise ao ligar marchas a revés econômico
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247 – O povo na rua não é bom para a economia. É o que diz, com todas as letras, relatório oficial do Itaú Unibanco, assinado pelo economista Alexandre Bicalho. As marchas de junho, que mobilizaram massas em todo o País contra o aumento nas tarifas de ônibus urbanos e a corrupção na política, terão efeitos econômicos negativos "além do plano imediato". Segundo o Itaú, "pode prevalecer um ambiente de incerteza com efeito perverso sobre as decisões de investimento".

O signatário do texto faz parte da equipe do economista-chefe Ilan Goldfjan, que defendeu em artigos no jornal O Estado de S. Paulo a fórmula do desemprego para atenuar a inflação.

Há décadas, todas as grandes democracia do mundo convivem com manifestações populares. Dos Estados Unidos, nos protestos contra a Guerra do Vietnã, nos anos 1960, à China, onde estudantes ocuparam nos anos 1990 a Praça da Paz Celestial pedindo mais democracia, esses eventos de massa fazem parte natural do ambiente de negócios. Por lá, não se faz associações entre protestos e efeitos nocivos na economia. Por aqui, o Itaú pode estar inaugurando esta onda.

O que se sabe, concretamente, é que as marchas contra os aumentos nas passagens de ônibus estão ajudando a reduzir a inflação. A primeira prévia do IPC de julho aponta para uma ínfima elevação de 0,07%, a menor do ano.

Apontar um receio generalizado de investimentos entre os agentes do mercado, em razão das marchas estudantis, parece ser um pouco mais que um exercício de futurologia, mas sim uma profissão de fé de que a democracia explícita faz mal à saúde econômica do País.

Não se sabe, em seguida, depois da defesa do desemprego por seu economista-chefe e de um de seus subordinados apontar uma crise econômica no horizonte de largo prazo, qual será o próximo vaticínio do Itaú. O fim do mundo? Ou apenas do Brasil?

 

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