JAC terá fábrica de R$ 900 mi no Brasil

Montadora chinesa anuncia instalao para 2014 no Pas; grupo chegou em maro com veculos importados

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A montadora chinesa JAC Motors, que chegou ao Brasil em março com veículos importados, anunciou ontem que construirá uma fábrica de R$ 900 milhões no País, a ser inaugurada em 2014. A unidade será uma parceria entre o grupo SHC, que representa a marca no mercado local, e a JAC. O grupo do empresário Sergio Habib será majoritário e deverá bater à porta do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em busca de recursos.

De acordo com Habib, que será o presidente da empresa que será formada a partir da joint venture que vai originar a fábrica, os carros da JAC vão atender à demanda da classe média emergente. 'Vamos fazer três carros com preço abaixo de R$ 40 mil para atender o público que hoje anda de moto ou de ônibus. É o 'coração' do mercado brasileiro', diz o empresário. A nova fábrica terá capacidade para produzir 100 mil veículos por ano, de uma família ainda a ser desenvolvida pela matriz. A unidade deve gerar 3,5 mil empregos diretos.

Como a ideia é formar no País uma plataforma de exportação para o Mercosul, pelo menos 60% das peças dos veículos terão de ser nacionalizadas. 'Vamos usar os sistemistas que já atendem às outras montadoras', diz Habib. Antes de iniciar a produção, o empresário quer terminar de montar rede de distribuição que atenda o País inteiro. Hoje, a JAC tem 50 revendas, número que deve subir a 80, até dezembro, e a 160, ao fim de 2012. 'Quando a fábrica for inaugurada, teremos 200 concessionárias', afirma Habib.

Ele lembra que o investimento médio para abertura de uma revenda no País está próximo de R$ 10 milhões - o que se traduz em um aporte total de R$ 2 bilhões para garantir a distribuição. Além da marca chinesa, o grupo SHC mantém ainda 39 concessionárias Citroën, grupo que Habib já presidiu no País. Para incorporar a JAC a seu portfólio, Habib abriu mão das revendas Ford que detinha.

Antecipação. Embora desde o início da parceria o objetivo fosse montar uma fábrica no País, a decisão de anunciar a produção local foi antecipada pelas vendas acima do esperado. Em três meses, a JAC vendeu 8,5 mil unidades no Brasil, ou 0,5% do mercado no primeiro semestre. Com a importação de mais três modelos até 2012, a expectativa de Habib é vender 40 mil carros, em 2011, e cerca de 100 mil no ano que vem.

Quando a fábrica estiver pronta, tanto Habib quando seu sócio chinês esperam que a marca já responda por 3% das vendas de automóveis no País. O empresário diz que, fora as quatro grandes montadoras - Fiat, Volks, GM e Ford, que dominam mais de 70% do mercado nacional -, somente a francesa Renault conseguiu superar a 'barreira imaginária' de 3% das vendas com certa folga.

A produção local é a aposta da JAC para atingir as ambiciosas metas do sócio chinês. Presente ao anúncio da fábrica brasileira, o vice-presidente da montadora, Dai Maofang, disse que projeta uma participação de até 5% no mercado brasileiro depois de 2014. Embora aposte na redução da fatia das grandes montadoras, Habib admite que há obstáculos, incluindo o aumento da concorrência. Recentemente, marcas como Toyota, Hyundai e Chery anunciaram novas fábricas no País.

O 'bate bola' entre o parceiro brasileiro e a montadora chinesa já rendeu frutos para a matriz. A versão brasileira do J3, que ganhou itens adicionais, é vendida na China como J3 Samba - e representa 20% das vendas do modelo, diz Maofang.

Para lançar a JAC no Brasil, Habib decidiu dar um 'banho' de marketing na marca - o investimento total em publicidade e promoções este ano ficará em R$ 140 milhões, incluindo R$ 20 milhões na campanha de lançamento estrelada pelo apresentador Fausto Silva. 'A China é um país de engenheiros. Eles não fazem marketing. Por isso, a JAC lá vende mais no interior', diz o empresário.

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