Juliane Furno: com o avanço solitário da produção agrícola, Brasil volta à economia colonial
Intensificando a agricultura com foco principalmente para a exportação, “o Brasil vai ficando cada vez mais refém, mais vulnerável à dinâmica do mercado internacional”, explica a economista. Assista na TV 247
247 - A economista Juliane Furno comentou na TV 247 os bons resultados que os produtores agrícolas vêm tendo ao longo de 2020, mesmo com a pandemia. Apesar de parecer uma boa notícia, segundo Juliane o crescimento isolado deste setor mostra um retrato de retrocesso da economia brasileira.
De acordo com a especialista, o Brasil está intensificando sua expertise em produzir commodities para exportação, o que leva a economia do País de volta a seu papel colonial, deixando o destino econômico brasileiro à mercê do mercado internacional e de decisões de países estrangeiros. “O último dado que a gente tem agregado do PIB do segundo trimestre de 2020 já apontava que, enquanto a indústria tinha perdido em torno de 17% do seu potencial de produção, serviços também e consumo das famílias também, o setor agrícola foi o único que teve crescimento positivo. Isso na verdade enseja um debate mais profundo sobre que País a gente está construindo para o futuro. Ainda que possa parecer uma boa notícia, ou seja, tem um setor que está lucrando durante a pandemia, isso expressa bastante um modelo de desenvolvimento econômico profundamente reprimarizado. Esse é um diagnóstico de que a economia brasileira está voltando cada vez mais às suas feições coloniais, ou seja, uma economia especializada na produção de produtos agrícolas e, principalmente, produtos agrícolas para a exportação. Isto tem vários efeitos de longo prazo, o primeiro é o quanto o Brasil vai ficando cada vez mais refém, mais vulnerável à dinâmica do mercado internacional“.
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