Lagarde: "É do interesse dos Bric criar o máximo de confusão"

Declarao da diretora do FMI foi feita ao ser indagada sobre a discrepncia de verses da contribuio dos emergentes ao fundo, que superou expectativas ao arrecadar US$ 430 bilhes

Lagarde: "É do interesse dos Bric criar o máximo de confusão"
Lagarde: "É do interesse dos Bric criar o máximo de confusão" (Foto: Yuri Gripas/REUTERS )
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247 – O Brasil queria anunciar a ajuda dos Brics a nova barreira anticrise do Fundo Monetário Internacional só em junho. Mas tomou uma rasteira da Rússia e da China que comentaram informalmente o valor de suas contribuições. A cena foi criticada pela diretora do FMI, Christine Lagarde: "É do interesse deles [Bric]criar o máximo de confusão possível", declarou Lagarde à Folha ontem. Com a « doação », o fundo ultrapassou a leta prevista e consquistou US$ 430 bilhões.

Leia na matéria da Folha:

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, criticou ontem os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) pela cacofonia criada em torno da nova barreira anticrise do FMI, que visa proteger os países-membros em caso de futura turbulência econômica.

"É do interesse deles [Bric]criar o máximo de confusão possível", declarou Lagarde à Folha ontem, na conclusão da reunião de Primavera do FMI, ao ser indagada sobre a discrepância de versões da contribuição dos emergentes.

Sorrindo, porém, a chefe do FMI confirmou que os Bric levaram a ela números que evitam tornar públicos.

Após duas reuniões semestrais pouco frutíferas e meses de negociação, o FMI encerrou o encontro ontem com US$ 430 bilhões (R$ 808 bilhões) na nova barreira, cumprindo sua meta e acalmando os mercados diante da volatilidade na União Europeia.

O valor superou expectativas (US$ 400 bilhões), mas não chegou aos US$ 500 bilhões almejados há um mês.

A cacofonia dos Bric, porém, marcou o encontro.

O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, passou dois dias insistindo que a estratégia de esperar a cúpula do G20 em junho para declarar valores era conjunta e visava pressionar o avanço na reforma do sistema de cotas do FMI, que foi aprovada em 2010 para dar mais peso aos emergentes.

O compromisso aparece nos comunicados finais do encontro, como quis o Brasil. Mas depende da boa vontade do Legislativo de países como Alemanha e EUA.

O brasileiro, porém, foi desmentido na noite de sábado por seu colega indiano, Pranab Mukherjee, que declarou que o atraso na oficialização das cifras se deve à necessidade da China e da Rússia aprovarem os aportes por seus gabinetes.

"Anunciaremos [o aporte] na hora apropriada, mas não colocamos questão nenhuma como pré-condição", disse.

Já os russos disseram informalmente que deveriam contribuir com ao menos US$ 10 bilhões e que os chineses dariam US$ 60 bilhões.

A divisão ficou patente quando Lagarde, ao anunciar o mecanismo, chegou a retratar seu primeiro comunicado, no qual agradecia a Moscou e Pequim separadamente por especificar valores de aporte.

Os US$ 70 bilhões foram incluídos na conta total de US$ 430 bilhões do FMI sem origem determinada. A expectativa é que o recurso seja liberado para empréstimos tão logo seja formalmente criada a barreira anticrise.

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