Laura Carvalho: números da economia desmentem Temer

A economista Laura Carvalho aponta a mentiras no discurso econômico de Michel Temer, que afirmou que o país saiu da recessão após o anúncio, na última quinta-feira (1º) do crescimento de 1% da economia do País no primeiro trimestre do ano passado; "A pílula de sobriedade foi ministrada pelo 'Financial Times' ao comentar sobre os mesmos dados: 'Brasil rasteja da recessão após supersafra de soja', acalmou o jornal. E o crescimento de 13,4% no setor agropecuário, que explica o resultado agregado positivo do trimestre, dificilmente poderia ser atribuído a medidas tomadas pelo governo. A não ser que o tal grande acordo nacional também tenha envolvido são Pedro e os grandes mercados mundiais", escreve

Laura Carvalho
Laura Carvalho (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Em sua coluna nesta quinta, a economista e professora da Unicamp Laura Carvalho mostra que os números da economia desmentem Michel Temer.

"A divulgação dos números do PIB na quinta-feira passada (1º) apontou um crescimento de 1% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2017 em relação ao último trimestre do ano passado.

Após oito trimestres consecutivos de queda, o resultado positivo foi suficiente para lançar o presidente Michel Temer em mais uma incursão ao país das maravilhas.

"Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda", celebrou Temer nas redes sociais.

A pílula de sobriedade foi ministrada pelo "Financial Times" ao comentar sobre os mesmos dados: "Brasil rasteja da recessão após supersafra de soja", acalmou o jornal. E o crescimento de 13,4% no setor agropecuário, que explica o resultado agregado positivo do trimestre, dificilmente poderia ser atribuído a medidas tomadas pelo governo. A não ser que o tal grande acordo nacional também tenha envolvido são Pedro e os grandes mercados mundiais.

Os números que expressam a situação da demanda interna do país frustraram todas as projeções.

Após oito trimestres de queda, os economistas esperavam uma retomada do consumo das famílias de 0,4%, mas o IBGE indicou nova retração, de 0,1%. Os investimentos decepcionaram ainda mais: caíram 1,6%, enquanto as projeções giravam em torno de uma redução muito menor —de 0,3%.

Embora o governo tenha seguido à risca o programa econômico desejado pelos analistas do mercado financeiro, a economia real tratou de mostrar que funciona de forma diferente."

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