Levy: não existe caixa preta no BNDES, mas Bolsonaro acredita nas suas fake news

Demitido do governo por não ter aberto a chamada "caixa-preta" do BNDES, Joaquim Levy afirmou que "às vezes as pessoas talvez passem informações incompletas (para Jair Bolsonaro) e houve mal-entendidos"; após encontrar o banco sob desmonte, Levy foi taxativo: "os desembolsos para exportação de engenharia estavam paralisados, já havia algum tempo"

(Foto: ABr | PR)

247 - Demitido do governo Jair Bolsonaro por não ter aberto a chamada "caixa-preta" do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Joaquim Levy afirmou que o chefe do Planalto "tem uma preocupação com o tema", mas "às vezes as pessoas talvez passem informações incompletas (para ele) e houve mal-entendidos". Questionado sobre a situação do banco ao chear à presidência da instituição, Levy disse que "os desembolsos para exportação de engenharia estavam paralisados, já havia algum tempo". 

Levy encontrou o banco sob desmonte contínuo, iniciado após o golpe contra Dilma Rousseff em 2016, quando a agenda neoliberal voltou com força sob o então governo Michel Temer, que, assim como o atual presidente Jair Bolsonaro, vê mercado financeiro como o grande proveder de obras de infraestrutura do País. 

Já em 2017, funcionários do banco criticaram a mudança em curso na metodologia de cálculo da TJLP, que prevê que a taxa de juros do banco flutue como uma taxa de mercado (confira aqui). O vice-presidente da Associação dos Funcionários do BNDES, Arthur Koblitz, também havia ressaltado que o governo Bolsonaro usa recursos do banco para pagar a dívida bruta (relembre).

Após destacar a paralisação de algumas operações do banco, Levy disse que "algumas exportações, como as do porto Mariel (Cuba), já tinham finalizado". "O principal item que o TCU aponta é a questão de desequilíbrio do financiamento. A parte de serviços é grande e difícil de demonstrar, porque o processo da área de exportação do banco não foi desenhado para isso, mas para exportação de bens", complementou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Em junho deste ano, o presidente ameaçou Levy publicamente, nos portões do Palácio do Alvorada. Após acusar o então presiente do BNDES de desleal, Bolsonaro disse que Levy "está com a cabeça a prêmio há algum tempo" e revelou o motivo do que era possibilidade de demissão. 

"Eu já estou por aqui com o [Joaquim] Levy [nesse momento levou a mão ao pescoço, como se estivesse cortando-o]. Falei pra ele demitir esse cara [Marcos Barbosa Pinto] na segunda-feira ou eu demito você, sem passar pelo Paulo Guedes", afirmou. "Governo tem que ser assim: quando coloca gente suspeita em cargos importantes e essa pessoa, como Levy, já vem há algum tempo não sendo leal àquilo que foi combinado e àquilo que ele conhece a meu respeito, ele (Levy) está com a cabeça a prêmio há algum tempo", acrescentou (veja aqui).

Se não bastasse o desmonte no banco, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, informou ao jornal Folha de S.Paulo que o Ministério da Economia pretende começar neste ano a redução do volume de financiamento concedido pela instituição (leia aqui).

Na tentativa de disfarçar a falta de proposta para alavancar investimentos, o governo Bolsonaro seguiu criticando "inimigos imaginários" (defensores do socialismo) e queria a identificação de onde foram investidos o dinheiro enviado a obras de infraestrutura em Cuba e na Venezuela. 

Sem conquistar o confiança do mercado, o presidente vê as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caírem semanalmente - o mercado financeiro reduziu pela 18ª vez consecutiva as projeções para o PIB deste ano. De acordo com boletim Focus do BC, a perspectiva de expansão neste ano caiu 0,02 ponto percentual, a 0,85%. Ou seja, o País corre sério risco de fechar 2019 em recessão. 







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