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Londres fica isolada

Hungria, Sucia e Replica Checa aderem ao novo pacto de disciplina fiscal da Unio Europeia. Agora so 26 contra apenas um. O modelo ingls substitudo pelo modo alemo de governar. Ser o anncio de um grande divrcio ?

Londres fica isolada (Foto: Shutterstock)

Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris – Mesmo se três entre eles pediram um período de reflexão, 26 dos 27 membros da União Europeia chegaram ontem a acordo sobre um pacto destinado à disciplina fiscal para tranquilizar os mercados. O único do contra foi o Reino Unido.

Pela primeira vez desde sua adesão oficial na aventura europeia, em 1973, Londres fica de fora de um acordo de peso europeu. A verdade é que nunca fez muito sentido a presença dos britânicos num bloco que pouco se identificam. Por estar fora da zona euro, Londres não tinha razão de assinar um pacto orçamentário prejudicial a seu poderoso mercado financeiro. Será o anúncio de um "grande divórcio", como descrito ontem pelo The Economist?

Mesmo durante as discussões difíceis, como sobre o Tratado de Maastricht em 1991, uma solução personalizada foi encontrada para que a Grã-Bretanha pudesse cravar sua assinatura. Mas desta vez, foi diferente. O poder da crise financeira radicalizou a negociação. Só existiu espaço para o "in" ou "out". De um lado, Paris forçava o contraste. De outro, pressionado pela opinião pública e pela maioria conservadora inglesa, David Cameron tinha de fato pouca margem de manobra.

Ainda é muito cedo para medir as conseqüências dessa ruptura. Mas pode-se dizer que uma página foi virada. Depois de ter vivido vários anos em fucionamento « à l’anglaise » com um mercado único crescente, mas que excluia sistematicamente produtos financeiros e o esforço institucional, a Europa passa à modo continental. Controle dos orçamentos, impostos financeiros, a regra de ouro. Agora é a Europa « à l’alemagne », como dizem. Se a convergência for alcançada e as promessas mantidas, o dia 09 de dezembro entrará paraa história da União Europeia.

Mas muitas incertezas ainda pesam sobre o euro. Neste início deste ano, a Grécia e a Itália terão que levantar muito dinheiro para se financiar. Os mercados, que reagiram de forma relativamente positiva ontem, vão, a partir de segunda, estar mais atentos ao pacote de financiamento do clube dos 17, e as reações do BCE e do FMI.

A resposta política dos 26 membros foi mais forte do que a esperada em Bruxelas.