Mercadante alerta para risco de cortes caso TCU não autorize parcelamento de R$ 22,6 bilhões
"Faz sentido o país parar investimentos estruturantes para fazer uma antecipação que não tem nenhum impacto?", questionou o presidente do BNDES
247 - Sem o parcelamento de R$ 22,6 bilhões por parte do BNDES, haveria uma necessidade de reduzir a aprovação de financiamentos e a liberação de recursos para setores como o agronegócio e governos estaduais. Foi assim que o presidente da instituição financeira, Aloizio Mercadante, soou o alerta durante a apresentação dos resultados financeiros e desempenho operacional do terceiro trimestre de 2023, nesta sexta-feira (17).
Ele se referia à tentativa do banco de fomento de parcelar o pagamento antecipado de R$ 22,6 bilhões, um montante que deveria ser quitado integralmente até o final deste mês, conforme estabelecido no cronograma do ano passado pela gestão anterior e o Tribunal de Contas da União (TCU). No mês passado, a instituição financeira chegou a um acordo com o Ministério da Fazenda para parcelar este saldo remanescente em oito vezes, até 2030.
Mercadante afirmou que o próprio TCU já prevê a alteração do cronograma no caso do BNDES, lembrando de pagamentos que foram suspensos na época da pandemia de Covid-19.
"Uma antecipação como essa impacta definitivamente sobre o banco. Teríamos que retardar aprovações e cortar o desembolso. Faz sentido o país parar investimentos estruturantes para fazer uma antecipação que não tem nenhum impacto sobre o orçamento público?", indagou o presidente do BNDES a jornalistas no JK Financial Center, em São Paulo.
Durante o evento, o BNDES anunciou que teve lucro líquido recorrente de 2,9 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 21,3% sobre o desempenho de um ano antes. A carteira de crédito do banco cresceu em 15,7 bilhões de reais neste ano até o final de setembro, alcançando 495,2 bilhões de reais, maior nível desde o primeiro trimestre de 2019. Desembolsos atingiram R$ 34,8 bilhões, o que representa um crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período de 2022.
