Miguelão e Mendonção: dois ministros em guerra

Miguel Jorge (esq.), que chefiou o Desenvolvimento na era Lula, voltou ao mercado. Ir trabalhar na MAN contra a importao de caminhes chineses; Mendona de Barros, que ocupou o mesmo cargo com FHC, virou importador de veculos asiticos

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247 – Miguel Jorge, que foi ministro do Desenvolvimento no segundo mandato do presidente Lula, está encerrando seu período de quarentena. Ele aceitou integrar o conselho da MAN Caminhões, que pertence à Volks, e será um de seus porta-vozes. Agora, “Miguelão”, como ele é chamado no mercado, está disposto a entrar numa nova cruzada e seu alvo são os veículos – especialmente os caminhões – importados da China. “Precisamos ficar atentos aos chineses”, disse o ex-ministro à revista Istoé Dinheiro, à qual anunciou sua volta ao mercado. “Eles só são competitivos porque praticam o dumping social. Seus custos são irreais e suas exportações ainda são subsidiadas pelo governo”. De acordo com Miguel Jorge, o que um operário paulista ganha por mês (R$ 1,8 mil) equivale ao salário anual de um metalúrgico chinês.

Curiosamente, o ex-ministro de Lula terá como um de seus principais oponentes um ex-ministro de FHC, que ocupou a mesma pasta. Ninguém menos que Luiz Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, que já anunciou que irá importar caminhões chineses. Mendonção tornou-se presidente no Brasil da Foton Aumark, uma fábrica de caminhões chineses. A intenção é vender, já este ano, cerca de 6 mil caminhões importados leves e semileves, em seis lojas da marca. Para os dois próximos anos, os planos são os de abrir mais 20 lojas e trazer caminhões mais pesados. A Foton é a maior fábrica de caminhões da China.

Os preços dos primeiros caminhões a serem importados – com peso entre 3 toneladas e 9 toneladas, feitos para rodarem dentro de centros urbanos – não foram divulgados. A julgar, porém, pelos preços praticados sobre outros produtos que entram no Brasil vindo do país oriental, eles deverão ser um dos grandes atrativos da marca. Os importadores chineses de veículos, liderados pela JAC Motors, venderam 54,6 mil veículos no ano passado e devem dobrar de volume em 2011.

Miguel Jorge gosta de abraçar o discurso nacionalista. Quando foi presidente da Anfavea, a associação das montadoras, ele comprou uma briga pública com o então presidente da Fiat, Pacifico Paoli, a quem quis expulsar da entidade, acusando-o de ser “estrangeiro”. O fato é que, assim como no mercado de automóveis leves, a disputa com os chineses nos caminhões também promete ser acirrada.

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