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Morre Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, aos 83 anos

Ex-presidente interino do BC participou da criação do Copom e atuou em planos econômicos decisivos contra a inflação no Brasil

À frente, Francisco Lopes que, em janeiro de 1999, substituiu Gustavo Franco na presidência do BC. (Foto: Reprodução/Roberto Stuckert Filho)

247 - O economista Francisco Lafaiete Lopes, ex-presidente interino do Banco Central, morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco. A informação foi confirmada pelo Banco Central em nota oficial.

Reconhecido como um dos principais formuladores da política econômica brasileira nas décadas de 1980 e 1990, Lopes participou da elaboração de programas que marcaram a história do país, como o Plano Cruzado, lançado em 1986, e o Plano Bresser. Sua trajetória foi marcada pelo enfrentamento da hiperinflação e pela busca de mecanismos de estabilização econômica.

Graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Lopes também concluiu mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, tornou-se referência no debate macroeconômico brasileiro.

Atuação no Banco Central

Francisco Lopes integrou a diretoria do Banco Central entre 1995 e 1998. Em janeiro de 1999, assumiu interinamente a presidência da instituição, permanecendo no cargo até fevereiro daquele ano. Ele deixou o BC em março de 1999.

Segundo o Banco Central, sua contribuição mais duradoura foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros do país. O modelo implantado ajudou a consolidar mecanismos de previsibilidade, transparência e rigor técnico na condução da política monetária brasileira.

Em nota, o BC destacou a relevância histórica do economista para a estabilização econômica do país. A instituição afirmou que Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento “do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990”.

Legado na economia brasileira

O Banco Central também ressaltou o impacto das ideias e da atuação de Francisco Lopes na construção da política econômica nacional. “A Diretoria do Banco Central do Brasil presta sua homenagem a um economista que marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa, na memória desta casa e no pensamento econômico nacional, um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país”, afirmou a instituição.

A morte de Lopes ocorre em um momento em que economistas e autoridades relembram a importância das medidas de estabilização adotadas no período anterior ao Plano Real. Sua atuação esteve ligada a debates centrais sobre inflação, indexação da economia e credibilidade monetária.

Ao longo de décadas, Francisco Lopes consolidou seu nome entre os principais economistas brasileiros, com influência tanto no meio acadêmico quanto na formulação de políticas públicas voltadas ao controle inflacionário e à estabilidade econômica.