Multimercado perde com economia instável

Apenas um tero dos fundos macro,como os de Luis Stuhlberger, consegue resultado acima da sua meta

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Por Márcio Kroehn_247 - Se um médico fizesse um diagnóstico da economia brasileira neste início de ano, ele poderia receitar um remédio contra a tosse. Assim como o incômodo na garganta que vai e volta ao longo do dia, o mercado financeiro parece que caminha para a normalidade, mas algo acontece e o cenário regride. Com situações instáveis como essa, os gestores dos fundos de investimento precisam ter paciência para fazer as suas alocações. Para a categoria multimercado macro, que trabalha basicamente com os ativos em bolsa de valores, inflação e moeda, o desconhecido é o pior dos mundos. Isso porque a principal característica deles é a tendência. E, quando elas não são claras, o prejuízo é quase certo. Para se ter uma ideia da situação atual, de acordo com levantamento da Economática para o Brasil_247, dos 59 fundos analisados, apenas 17 estavam com desempenho acima do CDI, o índice de referência da categoria, que rende 3,5% neste ano até o final de abril. Foram considerados apenas fundos com mais de dois anos de atividade e sem qualquer restrição ao investidor.

O destaque é a família dos fundos Verde, como são chamados aqueles geridos por Luis Stuhlberger. Dos 10 maiores retornos no ano, sete têm como investimento principal as cotas desses fundos. O Verde ganhou a fama de mítico no mercado pelas mãos certeiras de Stuhlberger, que vem acumulando desempenhos consistentes há muito tempo. No CSHG Verde FI Cotas de FI Mult, apenas 11% dos 172 meses ficaram no vermelho. Nos últimos dois anos, por exemplo, ele conseguiu rentabilidades de 50,4% em 2009 e 13,7% no ano passado. Bateu com folga seu índice de referência. Agora, ele traça o mesmo caminho. Neste ano, seus dois maiores ganhos vieram da bolsa de valores e da aposta no IPCA. Com as ações, as boas escolhas vieram de OGX, Hypermarcas, Vivo e Brasil Telecom. Na sua carta aos investidores, ele expõe seu desconforto com a situação atual. “Por enquanto permanecemos com exposição acima da média em bolsa, junto com títulos atrelados à inflação e uma pequena aposta no real. Mas calibrar o portfolio tem sido tarefa mais difícil do que a usual”, escreveu o gestor.

A dificuldade tem realmente feito os seus estragos. Alguns fundos estão perdendo a gordura acumulada em outros anos, sendo que oito estão com desempenho negativo. Nessa lista estão os fundos do Opportunity, que tiveram uma perda significativa na bolsa de valores nos últimos meses (baixe o app no iPad e confira a tabela dos fundos). E pelas contas do mercado, quem não acertou a tendência da inflação em janeiro, fevereiro e abril perdeu a mão da rentabilidade. “A volatilidade da economia está intensa e imensa. Está difícil entender o cenário local e o internacional, ainda mais com os emergentes brigando contra a inflação”, diz Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. O investidor deve ter paciência. A volta da rentabilidade para esses fundos deve ser vagarosa e, se a tosse persistir por mais alguns meses, este ano pode terminar ruim para a maioria. “A trajetória continua indefinida e o ambiente é ruim para os multimercados. A volta à normalidade depende do comportamento da bolsa e da tendência dos juros”, afirma Dany Rappaport, sócio da InvestPort.

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