Na Alemanha, Dilma critica ações contra a crise

Presidente, que se rene hoje com a chanceler Angela Merkel, disse que o excesso de recursos injetados pelos pases desenvolvidos, a fim de conter a crise econmica, traz efeitos negativos, como desequilbrios na economia mundial

Na Alemanha, Dilma critica ações contra a crise
Na Alemanha, Dilma critica ações contra a crise (Foto: FABIAN BIMMER/REUTERS)

Agência Brasil - Na Alemanha, onde se reúne hoje (5) com a chanceler alemã, Angela Merkel, a presidenta Dilma Rousseff voltou a criticar o excesso de recursos injetados na economia global pelos países desenvolvidos para amenizar os efeitos da crise econômica que enfrentam. Dilma disse que essa expansão monetária produz desvalorização artificial das moedas e uma bolha especulativa.

“Quando [se] expande nessa proporção, a massa monetária produz dois efeitos, um é a desvalorização artificial da moeda. Porque a desvalorização não artificial da moeda é produzida por ganhos de competitividade das economias domésticas, essa equivale a uma barreira tarifária e todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo, e isso é uma forma de protecionismo”. A presidenta completou: “Tem um outro problema sério, cria-se uma massa monetária que não vai para a economia real, ela produz bolha, especulação”.

Dilma disse também que o momento é importante para discutir “mecanismos incorretos” de política cambial. “Por isso o Brasil quer mostrar que está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado, que é o câmbio. Não é tarifa, é o câmbio. O câmbio hoje é uma forma artificial de proteção do mercado”, disse em entrevista.

Para a presidenta, neste contexto de crise, os países desenvolvidos devem adotar políticas de expansão do investimento. “O investimento não só melhora a demanda interna, mas abre também a demanda externa por nossos produtos”. Dilma também ressaltou que o Brasil é uma economia soberana e que o país tomará as medidas necessárias para se proteger.

A crise econômica internacional será tema da conversa entre Dilma e Angela Merkel, que é a principal líder das negociações na União Europeia (UE) em busca de soluções para evitar o agravamento da crise. As duas também devem conversar sobre educação, ciência, tecnologia e inovação, além de desenvolvimento sustentável, energia e infraestrutura, assuntos centrais na cooperação bilateral.

De política monetária, quem fala é o BC

Agência Estado - A presidente desautorizou toda e qualquer declaração sobre política monetária que não seja feita pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. A bronca foi dada quando a chefe de Estado foi questionada sobre as declarações feitas pelo secretário especial de Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. No domingo, o ministro havia afirmado que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziria os juros.

Questionada sobre o tema, Dilma foi taxativa. "Quem fala sobre juros no meu governo é o Banco Central, Alexandre Tombini. Nem eu nem ninguém no meu governo tem autorização para falar sobre juros", afirmou. Nesse momento, Marco Aurélio aguardava o fim da coletiva, também no lobby do hotel.

No domingo, o ministro havia comentado a política monetária, afirmando que o BC já vinha em uma trajetória de baixa da taxa básica de juros, a Selic. "Esse caminho já está definido, e com sucesso, porque não estamos tendo inflação", disse. Comentando as reuniões do Copom na terça e quarta-feira, Marco Aurélio antecipou a decisão do BC. "Vamos ter mais uma reunião do Copom, na qual vamos ter uma queda - moderada, mas vamos ter uma queda" disse.

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