Nassif: Lava Jato destruiu as pretensões brasileiras na África

"Lava Jato e governo Temer iniciaram a demolição do projeto diplomático, das poucas vezes em que o Brasil tentou exercer seu protagonismo diplomático", escreve o jornalista

Luis Nassif, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol
Luis Nassif, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol (Foto: Brasil 247 | Reuters | ABr)
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247 - O jornalista Luis Nassif detalha, em artigo no GGN, como a Lava Jato e os governos pós-golpe de 2016 destruíram a influência do Brasil na África. "O país conseguiu estender sua influência diplomática pela América Latina. Com o etanol e a pecuária explodindo, as áreas de expansão seriam a América Central e, especialmente, a África. As empreiteiras brasileiras avançaram sobre a África, contando com a enorme simpatia angariada pelo país, graças ao futebol e ao sucesso internacional de Lula. Ao mesmo tempo, o agronegócio brasileiro poderia ser a grande perna de entrada na África, que possui as maiores extensões de terras não aproveitadas para a agricultura", escreveu ele.

"Tinha-se, então, um modelo de atuação diplomática enluarada no conceito do soft power brasileiro. Segundo seus formuladores, a atuação internacional do Brasil deveria ter como valor central a autonomia e o desenvolvimento econômico. Tinha-se a convicção de que conhecimentos elaborados em países em desenvolvimento seriam mais adaptáveis aos países em desenvolvimento assistidos. Puxando a fila, havia as empreiteiras brasileiras com forte penetração na África portuguesa, que traziam atrás de si os demais setores econômicos brasileiros com interesse no continente", prossegue ele.

No entanto, a Lava Jato colocou tudo a perder. "Lava Jato e governo Temer iniciaram a demolição do projeto diplomático, das poucas vezes em que o Brasil tentou exercer seu protagonismo diplomático. Alguns dos projetos foram mantidos pelo setor privado, mas o estímulo governamental cessou. E a Lava Jato destroçou as empreiteiras brasileiras, abrindo amplo espaço para o avanço das empreiteiras chinesas. E o grande diferencial brasileiro – a figura pública de Lula – criminalizado pela Lava Jato. Hoje em dia, no comércio exterior brasileiro a África é irrelevante."

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