O dólar não vai longe

Valorizao de 2,7% da moeda americana na semana explicada pela tenso com o aumento da inflao no Brasil. Real deve voltar a ganhar fora em pouco tempo

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Por Márcio Kroehn 247_Após quatro dias de seguidas altas, o dólar voltou ao mesmo patamar de 31 de março. A moeda americana fechou cotada a R$ 1,615 na sexta-feira 5, valorização de 2,7% na primeira semana de maio. Uma sucessão de fatores levou o real a perder força nos últimos dias. O primeiro, e mais importante deles, era a expectativa com a divulgação do IPCA. A alta do índice de inflação - está acima do teto de 6,5% ao ano - deve obrigar o Governo a adotar medidas para conter o dragão dos preços altos, o que poderá mudar a carteira de aplicação de muitos investidores. Além disso, os estrangeiros estavam concentrados na reunião do Banco Central Europeu (BCE), que definiu na quinta-feira 5 que os juros na zona do euro continuarão em 1,25% ao ano. Como a expectativa era de alta, o mercado externo trocou o euro pelo dólar.

Nos próximos dias, o real deve voltar a ganhar força. O mercado trabalha com o dólar entre R$ 1,55 e R$ 1,65. Quando a moeda americana chega ao piso, como aconteceu no final se abril, é normal que ocorra uma alta por “falta de vendedores” e pela necessidade dos investidores embolsarem os ganhos acumulados. Outro fator que pesará contra o real é o dinheiro das empresas exportadoras. Há uma percepção de que os recursos estão parados no exterior a espera de uma melhor relação dólar x real. Assim que a moeda americana chegar a um nível aceitável para o balanço dessas companhias, um caminhão de dinheiro vai entrar no Brasil e dar força ao real.

A redução do poder da moeda brasileira e as medidas tomadas pelo Governo Federal nos últimos meses têm uma relação indireta. Em abril, o volume de entrada de dólares no Brasil caiu 88% na comparação com março. O saldo ficou em R$ 1,54 bilhão, bem abaixo dos R$ 12,6 bilhões do mês anterior. Essa diferença é explicada porque muitos daqueles que tinham que trazer dólares para o Brasil anteciparam seus movimentos para fugir do aumento o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que subiu de 2,38% para 6,38% nas compras com cartão de crédito no exterior e para 6% nas taxas de empréstimos entre bancos estrangeiros e empresas nacionais em operações com prazos até 720 dias.

A comemoração do Governo Federal, porém, deve ser moderada. Essas medidas não servem para manter o real fraco. Principalmente se a inflação continuar saindo do controle e o Banco Central tiver que aumentar os juros na próxima reunião do Copom, que acontece entre os dias 7 e 8 de junho. Um aumento da taxa Selic, que hoje está em 12% ao ano, vai atrair ainda mais os recursos estrangeiros para a renda fixa, investimento de baixo risco e alta rentabilidade. Além disso, a bolsa está mais próxima dos 60 mil do que dos 70 mil pontos, o que pode atrair investidores a procura de pechinchas. Esses fatores somados mostram que a alta do dólar não deve mesmo ir longe.

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