O mundo além do Imposto de Renda

muitos contribuintes tiveram motivos para se alegrar dos valores a serem restituídos, e muitos outros tiveram que arcar com o pagamento da primeira parcela do Imposto, via DARF

Inspirados pelo feriado do Dia Do Trabalho e passada a entrega da Declaração de Ajuste do Imposto de Renda ano base 2011, muitos contribuintes tiveram motivos para se alegrar dos valores a serem restituídos, e muitos outros tiveram que arcar com o pagamento da primeira parcela do Imposto, via DARF.

Isso, sem declarar aqueles que tiveram que correr atrás de médicos, dentistas e alguns outros profissionais da área de saúde tentando de forma incorreta a famosa compra de recibos para tentar reduzir a base de tributação.

Mais uma vez, tivemos a correria da famosa última hora do brasileiro, e muitos destes terão de arcar com as multas pelo atraso nas entregas das declarações. Outro ponto a se destacar é que, agora, em posse da declaração, devemos observar a evolução patrimonial, a evolução das dívidas e como o ano de 2011 transcorreu, e obviamente, ponderarmos se temos que “trabalhar” diferente para o ano de 2012, ou se precisaremos buscar um novo ritmo de vida,com mais restrição ao orçamento.

Muitos neste momento ponderaram se uma Previdência Privada PGBL poderia tê-lo feito restituir uma pouco mais de recursos, ou simplesmente ter provocado a ausência de impostos a pagar devido a alteração das regras de tributação.

Alguns observaram que não resolveu lançar em sua base as despesas de educação, por exemplo, pois o desconto legal de 20% acabou se saindo mais favorável e portanto não se considerou os valores.

Analogamente a este desfecho do Imposto de Renda, tivemos ainda uma notícia negativa sobre o mercado financeiro, principalmente no tocante ao nível de endividamento de nossas famílias e a forma como os bancos enxergam o horizonte próximo de nossa economia.

Que as taxas de juros efetivamente reduziram, muitos confirmaram, mesmo que não sob um nível desejado, mas reduziram. Porém, o endividamento das famílias e a possibilidade de se alterar o rumo do orçamento, foi a questão levantada por um grande banco brasileiro e seguida por analistas de investimento.

É importante adicionar ainda nesta análise que, justifica-se a elevação das provisões para “calotes” devido ao aumento do volume de recursos que serão emprestados, além é claro, da probabilidade de que, se aumenta o volume de empréstimos, aumenta-se o risco de calotes, uma vez que a base de credores estará dilatada.

Assim, muitas posições acionárias foram revertidas, ou seja, muitos investidores que estavam dispostos a apostar nas altas das ações de bancos brasileiros acabaram modificando suas opções e fizeram com que houvesse uma queda acentuada dos índices das ações dos bancos e por conseguinte do índice Bovespa.

Soma-se ainda, o que está acontecendo na Europa: de uma lado, em solo francês, tornou-se eminente a derrota do atual Premiê Nicolas Sarkozy para o socialista François Hollande. A imprensa internacional, incluindo ai a respeitada publicação The Economist, já perfaz um cenário econômico temerário caso se confirme as pesquisas dando vitória a Hollande.

Na verdade, Hollande deverá implementar uma política mais intervencionista, com flertes a extrema direita, baseando-se nos gastos públicos como forma de reanimar a economia e uma austeridade fiscal menos ortodoxa, o que para muitos analistas fará com que a situação econômica do país piore ainda mais.

Porém, há correntes que indiquem que o socialista irá trilhar um caminho de sucesso, remando contra as correntes do Velho Continente. Alheio a isso, a Alemanha, com Angela Merkel, aguarda as decisões francesas, mas reitera seu apoio a Sarkozy, garantindo assim um apoio internacional mais forte que de seu rival.

Além disso, ligou-se novamente o sinal vermelho, de perigo, para as contas da Espanha. O rebaixamento dos papéis da dívida espanhola provocou nova desvalorização nos títulos, que já se enquadravam de forma crítica dentro do cenário econômico.

O colapso financeiro da Espanha pode sim trazer junto de si economias menos robustas como Portugal e algumas outras do centro europeu, fazendo com que passemos novamente por um duro período recessivo e novo teste de stress para a moeda única, o Euro.

Nestes panoramas (França em período eleitoral e Espanha a beira de um novo colapso financeiro) reitera-se que a política econômica adotada pelo Governo brasileiro visa exatamente estimular nossas atividades locais para que não soframos tanto com os problemas além fronteira.

Neste cenário econômico de dinheiro escasso, o Brasil ainda se sobressai, pois, diferentemente dos hermanos argentinos, temos instituições públicas com credibilidades, mesmo sofrendo com agentes operadores corruptos, mas ainda sim, conseguimos manter um sistema econômico livre, em pleno funcionamento, sem a necessidade de assaltar o patrimônio privado e bases jurídicas claras.

Espero sinceramente que o nosso governo, mesmo que às vezes sofrendo de rompantes intervencionistas, com por exemplo o aumento da produção estatal de fertilizantes, observe o resultado negativo que a Argentina externalizou ao mundo, e repense algumas atitudes futuras.

Nossa economia interna sofre com estrangulamentos estruturais, tributários, educacionais e de saúde, para citar o mínimo. Mesmo que nosso crescimento não se perca, não podemos dizer que está tudo bem, e que podemos baixar a guarda frente as adversidades que ainda virão.

Antônio Teodoro é economista e professor

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