O PIB da vergonha
O anúncio do fraco aumento do PIB brasileiro trás consigo algumas indagações importantes que devemos fazer sobre a forma como estamos conduzindo até agora nossas bases econômicas
Agora é oficial: 0,9% de crescimento econômico em 2012, com redução forte nas taxas industriais, elevação do consumo das famílias e elevação proeminente dos gastos de governo. Queda nos níveis de investimento e de formação bruta de capital, além da retumbante confirmação de que o Estado precisa ser modernizado.
O anúncio do fraco aumento do PIB brasileiro trás consigo algumas indagações importantes que devemos fazer sobre a forma como estamos conduzindo até agora nossas bases econômicas. Devemos observar como postulamos nossa política econômica em sua forma de preparar o crescimento de longo prazo, escrevendo novos capítulos de nossa história econômica.
Desde a implantação da nova moeda, a estabilização econômica, a flexibilização do câmbio, a expansão dos programas sociais e a inclusão de mais trabalhadores junto à formalidade, proporcionamos um aumento da base de renda e uma interação e até mesmo ascensão entre os brasileiros. É notório o crescimento das potencialidades do mercado consumidor doméstico.
Além disso, via crédito farto, redução de impostos e apoiados em uma onda de importações, o acesso a produtos de consumo elevaram o apetite de gastos dos brasileiros e empurraram as despesas familiares às alturas. Infelizmente, alguns não conseguiram dosar a medida ao acesso a tais benefícios, e acabaram seguindo para uma linha de endividamento, que se por este instante não incomoda, já rascunha um horizonte de comprometimento orçamentário.
Adiciona-se a este imbróglio financeiro pessoal o desconhecimento absoluto da população sobre os produtos financeiros disponíveis a elas, tanto pelo lado do investimento tanto pelo lado da tomada de capital.
Toda esta breve descrição serve para entendermos o avanço do consumo da família, que via de regra se beneficiou pelas escolhas do governo em aquecer a economia pela demanda, esquecendo-se e abandonando o lado da oferta industrial ao bem prazer da sorte.
Sobre os dados do PIB, destaco os gastos do governo, e reitero de forma tímida, porém muito grave, a teimosia de mantermos um Estado com inchaço da máquina pública e falta de qualidade nos serviços retornados a população.
Os investimentos, que merecem artigo específico para tratá-lo, cito apenas que deveríamos estar no patamar de 25%, mas alcançam pífios 18%. Estes números já são capazes de colocar em xeque nossa capacidade de crescimento em longo prazo.
Outro indicador que corrobora para a necessidade de modernizarmos e melhorarmos a aplicação de nossas políticas econômicas é a queda nos níveis de Formação Bruta de Capital, que na verdade são as bases para o avanço industrial, pois mensura os investimentos em bens de transformação. A queda de 4% ratifica que o tombo industrial anunciado e alarmado ao longo de todo o ano foi duro.
As expectativas descritas foram confirmadas, e o otimismo forjado do Ministro da Fazenda foi questionado pelas publicações mundo afora. O retrato de que o governo pesou a mão na tomada de decisão em ações pontuais e não instalou um plano estratégico de política econômica cobrou sua tarifa.
De se destacar a tentativa ao final do ano e mea culpa desempenhada pelo governo de reaproximar-se dos empresários, tentando dotá-los de novas e renovadas expectativas quanto ao crescimento econômico para 2013 e confirmar as bases macroeconômicas que sustentarão os próximos anos.
Significa assim que, Dilma e sua equipe estarão acompanhando e oferecerão apoio ao progresso e retomada industrial, além de retomar os níveis de confiança institucionais abalados pelas mudanças nos contratos de energia e exploração do petróleo. O destravamento dos projetos de infraestrutura também estiveram em pauta e agradaram aos empresários.
Assim, mesmo que apoiados em projeções que mirem um crescimento de 3 a 3,5%, esperamos um ano em que verdadeiramente Dilma Rousseff se proponha a ajeitar a casa, começando pela Petrobras e seguindo o caminho das privatizações e concessões estruturais.
Porém, não resolve apenas transferir à iniciativa privada as responsabilidades pelas obras. É preciso instituir e prover as agências reguladoras de poder para que sejam contidos quaisquer excessos, e que estas efetivamente atuem em suas vocações institucionais.
Outro alento é que, o governo reconhece as restrições do Estado, e parece ter entendido seu papel, mesmo que infelizmente tenha nos custado uma oportunidade de avançar no xadrez econômico mundial.
