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Economia

O que está acontecendo com o Itaú 'R$ 0,01' Unibanco?

Integrao corporativa entre instituies das famlias Setubal e Moreira Salles est mais difcil do que se imaginava; aes, desde dezembro de 2009, perdem para a taxa de juros

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Marco Damiani, Brasil 247 _ O Itaú, depois da fusão com o Unibanco, em novembro de 2008, é outro banco – e não exatamente melhor. Nos últimos tempos, a instituição da família Setubal, desde então coabitada pelos Moreira Salles, está mostrando ao mercado o quanto pode ser difícil, controverso e confuso um processo de integração de culturas corporativas. Esse filme já foi visto sob outras bandeiras, mas não há lembrança de um roteiro com um acúmulo tão grande de cenas de erros explícitos. Atônito, o mercado tem cobrado um preço alto de todo o seu elenco, os acionistas. Estudo da consultoria Economática aponta que as ações do Itaú Unibanco perderam, em rendimento, para a taxa de juros desde 30 de dezembro de 2009 até 7 de junho de 2011. O levantamento prova que quem aplicou R$ 100 em ações preferenciais do banco naquela data estava com R$ 95,90 ontem. No período, R$ 100 em ações ordinárias da instituição se transformaram em R$ 105,90. O mesmo dinheiro, porém, aplicado no mesmo espaço de tempo no CDI, virou R$ 115,00. Em outras palavras, a fusão, no último ano e meio, simplesmente não gerou retorno a quem tem dinheiro aplicado em papeis da instituição.

As agruras da integração têm cortado o banco do alto até a base, afetando seu estamento mais elevado e, também, milhares de clientes do dia a dia das agências. Entre esses pólos, os cerca de 100 mil funcionários passaram a se aproximar mais de seus sindicatos em razão de gestos abruptos como elevação sem prévio aviso nos planos de saúde e rumores de cortes de vagas.

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Em abril, o Ministério Público considerou que o banco cobrara indevidamente, entre 2008, ano da fusão, e 2010, nada menos que R$ 165 milhões em tarifas não estabelecidas nas regras do Banco Central. Um dinheiro que terá de ser devolvido aos correntistas. Em maio, 25, clientes às centenas amanheceram o dia com seus saldos zerados ou negativados, apesar de terem recursos em suas contas. O publicamente mal explicado problema no sistema de computadores do banco levou o BC a convocar a Brasília os diretores da instituição para as devidas respostas técnicas.

Pouco antes desses tropeços em praça pública, na safra de balanços de março, o Itaú Unibanco divulgou,um após o outro, nada menos que três números diferentes para seus resultados, com hiatos de quase R$ 1 bilhão entre eles. A trapalhada contábil diante da elite financeira pegou mal - e foi seguida de uma agitada dança das cadeiras no primeiríssimo escalão do Itaú Unibanco. Logo nos acordes iniciais, foi alijado da linha sucessória o vice-presidente Ricardo Marino, filho de Milú Vilela, maior acionista individual da holding Itaúsa. O amplo processo de entradas e saídas fez chegar a cargos estratégicos da instituição homens de confiança do banqueiro Pedro Moreira Sales, que passaram a ocupar as mesas dos antigos valetes dos Setúbal. O próprio Roberto Setubal, presidente da instituição, chegou a redigir cartinhas emocionadas despedindo-se de colaboradores que lá estavam desde os tempos de seu pai, Olavo, e aos filhos que os sucederam.

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Nem mesmo no marketing, onde o Itaú sempre foi agressivo, as coisas parecem estar ajustadas. O banco acumulou nos últimos tempos multas que somaram R$ 14 milhões, emitidas pela Prefeitura de São Paulo, por manter seu logotipo ao lado do relógio do Conjunto Nacional – um ícone da capital --, no alto da Avenida Paulista, em flagrante desrespeito à Lei da Cidade Limpa. Em seu centro cultural, na outra ponta do eixo viário, o banco enfrentou um constrangedor protesto de mães em fase de aleitamento, em razão de uma monitora ter proibido uma delas, dias antes, de dar o peito ao seu bebê nas dependências internas. Uma gafe dispendiosa, no caso do relógio, e outra, no mínimo, indelicada para com as mães. Anti-marketing.

Foi na semana passada, no entanto, que duas novas faces do processo de integração de culturas corporativas vieram a público – a do sarcasmo e a do desdém. Inscrito na primeira fase do processo de concorrência pública para o Banco Postal, o Itaú Unibanco, na prática, desprezou os demais concorrentes e todo o ritual licitatório. Em envelopes lacrados, meio previsto no edital em razão da presença de mais de três interessados em instalar agências bancárias na malha postal, os primeiros lances de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco foram de R$ 1 bilhão, R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão, respectivamente. O vencedor Banco do Brasil só levou o negócio após a 12ª rodada verbal de disputa com o Bradesco, desembolsando R$ 3,15 bilhões, o que mostra o quanto a estrutura dos Correios é valiosa para as instituições financeiras. O Itaú Unibanco, entretanto, foi desclassificado logo que o envelope com sua proposta de preço inicial foi aberto. Lá estava escrito R$ 0,01 – isso mesmo, um centavo, a menor unidade de valor possível. Nos tempos do engenheiro Olavo Setubal, o Itaú entrava em concorrência para ganhar – agora, acha divertido perder. É uma mudança para melhor?

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