O que há de errado com a BM&FBovespa?

A queda no nmero de investidores pessoa fsica coloca em dvida o modelo de popularizao da BMFBovespa, atravs do home broker. Alm disso, as aesso a pior aplicao do ano, sinalizando talvez o fim de um ciclo de alta

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Por Márcio Kroehn_247

A bolsa foi à praia. A bolsa foi às fábricas. A bolsa foi às universidades. A bolsa foi em busca da popularização. A meta era ambiciosa. O espaço de negociação das ações do Brasil queria alcançar 5 milhões de investidores pessoa física em cinco anos. Em 2014, ano da Copa do Mundo em território nacional, essa conquista deveria ser comemorada com a taça de campeão: o país da poupança estaria se transformando no país da renda variável. Mas a propaganda parece ter perdido seu efeito mágico. O número de sócios da BM&FBovespa está diminuindo. Nos três primeiros meses deste ano, mais de 13 mil CPFs saíram da base de informações. O total de brasileiros cadastrados para comprar e vender papéis regressou para a casa dos 500 mil, mesmo patamar de 2008. E desse montante é provável que uma parcela de investidores esteja sendo contabilizada mais de uma vez, afinal, o critério utilizado é a custódia das compras realizadas em diferentes corretoras e não os dados pessoais.

Por trás desse movimento de redução no número de investidores está um possível fracasso do home broker. O sistema eletrônico criado para facilitar a adesão e a participação do investidor comum entrou em decadência. Há pelo menos 12 meses as corretoras médias e pequenas tentam reacender a chama de seus clientes pelo mercado de ações. Mas com o Ibovespa estacionado na faixa dos 60 mil aos 70 mil pontos desde meados de 2009 fica difícil encontrar um chamariz. Com isso, a participação dos investidores individuais no volume de negócios da bolsa caiu. Em março, a perda foi de 7 pontos percentuais, de 30,7% para 22,6%, em 12 meses. Em abril, a queda foi de mais de 4 pontos percentuais, de 25,4% para 21,2%, no mesmo período de comparação.

A diminuição de compra e venda de ações pelos clientes é um péssimo negócio para as corretoras. O home broker já é considerado por elas um mercado de risco e de baixa rentabilidade. Elas ganham na taxa de corretagem, ou seja, por operação realizada. É volume que interessa, o que só é possível com institucionais ou estrangeiros. Nos bastidores, comenta-se que R$ 5 é o número mágico para esse pequeno investidor não dar prejuízo. Mas, nos últimos meses, a estratégia de algumas corretoras para atrai-los fez os valores baixarem desse patamar. É como se elas estivessem pagando para realizar as operações. Um dos motivos é fazer a conta do cliente continuar ativa. Para o CPF permanecer válido, as corretoras precisam desembolsar uma taxa de tempos em tempos. Como uma base inativa de clientes é sinônimo de custos, uma cuidadosa e minuciosa limpeza de cadastro está sendo realizada por elas.

O momento atual do mercado de ações ajuda nesse trabalho das corretoras. Como o investimento em bolsa está na lanterna dos retornos em 2011, a BM&FBovespa não é cobrada pelos seus acionistas por uma estratégia que consumiu muito dinheiro mas, até o momento, não vem dando certo. No fechamento de abril, o Ibovespa empatou com o dólar na lanterna das piores rentabilidades do ano, com perda de 5,41%. Nos três pregões de maio, as perdas aumentaram para mais de 8%. Os fundos de renda fixa são os únicos que estão a frente da inflação. O dragão, aliás, pode ser outra boa desculpa para o fracasso da bolsa. Talvez o fogo tenha queimado os papéis das empresas no bolso dos pequenos investidores.

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