O sectarismo do PSDB e a mobilidade urbana interditada

Apenas em 2011, dos R$ 4,5 bilhões previstos para investimentos na expansão do Metrô o governo Alckmin executou somente R$ 1,162 bilhão

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Ao ler o artigo dos deputados Pedro Tobias e Cauê Macris, publicado na imprensa paulista, tratando do tema mobilidade urbana, fica-se com a impressão da existência de dois PSDBs em São Paulo ou de um partido que tem sofrido de personalidade cindida.

O discurso partidário presente no texto é muito diferente daquele proferido quando da aprovação, na Assembleia Legislativa, de Projetos de Lei que autorizam o Governo do Estado a firmar convênios com o Governo Federal ou contrair financiamentos nos quais a União é garantidora junto às instituições financeiras internacionais. Também é notória a diferença do discurso utilizado pelo governador Geraldo Alckmin quando agradece à Presidenta Dilma por todas as parcerias construídas em São Paulo.

Qual PSDB esbanja sectarismo nas páginas dos jornais de São Paulo?

Debater democraticamente o modelo de transporte em São Paulo e na região metropolitana é bom para a população e qualifica a disputa de projetos. A população paulista precisa e merece a expansão de sistemas de transporte público coletivo eficientes e com qualidade.

Mas, em vez de entrar no debate proposto, argumentar, mostrar a diferença de propostas, os nobres deputados saem “atirando”, típico de quem se vê acuado, e no desespero partem para o ataque frenético e desproporcional à realidade.

Uma boa maneira de enfrentar o ruído de palavras soltas ao vento são os dados oficias. Apenas em 2011, dos R$ 4,5 bilhões previstos para investimentos na expansão do Metrô o governo Alckmin executou somente R$ 1,162 bilhão, ou seja, deixou de aplicar 73% dos recursos estipulados no Orçamento do Estado. A CPTM recebeu o mesmo tratamento. Houve corte de investimentos na compra de trens, de R$ 684 milhões em 2010 para R$ 260 milhões em 2011, ou seja, redução de 56%, mesmo dispondo de recursos avalizados pelo Governo Federal.

Mobilidade urbana é prioridade para o Governo Federal, com o PAC mobilidade, o Governo Dilma irá investir R$ 18 bilhões na melhoria da infraestrutura de transporte público coletivo das grandes cidades e regiões metropolitanas, inclusive do Estado de São Paulo.

Em solo paulista, a participação da União é notória. Nos governos Lula e Dilma, o Estado de São Paulo obteve autorização e o Governo Federal afiançou empréstimos subsidiados no valor R$ 21,230 bilhões, no período de 2007 a 2012, para serem investidos no transporte e mobilidade, sendo R$ 14 bilhões somente para modernização e expansão do Metrô e CPTM. Estão previstos R$ 400 milhões do orçamento da União para a linha 18 do Metrô - Bronze, recursos repassados a fundo perdido.

O Rodoanel Trecho-Sul, que foi grande vitrine de publicidade do então governador Serra, recebeu R$ 1,2 bilhão do governo Lula. Agora o governo Alckmin recebe R$ 1,72 bilhão de repasse do governo Dilma para a construção do Trecho Norte. O Corredor Expresso Tiradentes, trecho 1 ao 3 teve mais de R$ 90 milhões liberados.

Esses são apenas alguns exemplos da política republicana do governo federal e o apoio a esse setor. Portanto, não faltam recursos para São Paulo. O que está escasso nos governos do PSDB em São Paulo é a capacidade de gestão e compromisso com a sociedade paulista, que sofre com constantes atrasos e panes nos transportes público, especialmente no Metrô e nos trens da CPTM, chegando a quase 100 paralisações do Metrô, contabilizados de dezembro de 2007 até os dias atuais. Trata-se de um verdadeiro apagão nos transportes públicos na Região Metropolitana de São Paulo como bem afirmou o deputado federal pelo PT paulista Carlos Zarattini.

Em vez de tentar tirar o foco do debate dos problemas enfrentados pelos paulistas atacando o governo federal e como uma metralhadora giratória atirando no PT Brasil afora, o PSDB deveria qualificar o mesmo, mostrar qual o modelo de governo, suas propostas e resultados nas ações para a mobilidade urbana, o combate às enchentes, segurança pública, educação, além da política de pedagiamento - que tem esvaziado economicamente regiões inteiras do interior- entre outras.

Caros deputados, Tobias e Macris, para o fortalecimento da democracia, não se pode fugir do mérito do debate, tampouco negar os 17 anos de PSDB à frente do governo paulista e a não solução de problemas que se tornaram crônicos e históricos e, no caso do transporte, acabam por interditar a mobilidade e o direito de ir e vir da população de São Paulo.

Edinho Silva, deputado estadual e presidente do PT/SP

Alencar Santana, deputado estadual e líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo

 

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