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Odebrecht e Andrade podem ser escada de Moro a Lula

Poupadas na primeira fase da Lava Jato, as empreiteiras Andrade Gutierrez, de Sergio Andrade, que é a mais próxima ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e se tornou praticamente dona da Cemig em sua gestão, e a Odebrecht, de Marcelo Odebrecht, que também procurou o tucano no início da operação, podem se tornar os novos alvos do juiz Sergio Moro, na Lava Jato; o motivo: como a decisão recente do Supremo Tribunal Federal que libertou empreiteiros reduziu o campo para novas delações premiadas, uma das estratégias da força-tarefa paranaense pode ser prender novos empresários para testar sua capacidade de resistir à prisão; hipótese é levantada por Veja desta semana; Época, por sua vez, também mirou a Odebrecht; as duas empreiteiras já se veem como "bola da vez"

Poupadas na primeira fase da Lava Jato, as empreiteiras Andrade Gutierrez, de Sergio Andrade, que é a mais próxima ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e se tornou praticamente dona da Cemig em sua gestão, e a Odebrecht, de Marcelo Odebrecht, que também procurou o tucano no início da operação, podem se tornar os novos alvos do juiz Sergio Moro, na Lava Jato; o motivo: como a decisão recente do Supremo Tribunal Federal que libertou empreiteiros reduziu o campo para novas delações premiadas, uma das estratégias da força-tarefa paranaense pode ser prender novos empresários para testar sua capacidade de resistir à prisão; hipótese é levantada por Veja desta semana; Época, por sua vez, também mirou a Odebrecht; as duas empreiteiras já se veem como "bola da vez" (Foto: Ana Pupulin)

247 - Duas das maiores empreiteiras do País, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, já se veem como "bola da vez" na Operação Lava Jato. O motivo é a decisão recente do Supremo Tribunal Federal, que liberou executivos de empresas como UTC, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS, Galvão Engenharia e Engevix.

É consenso, entre analistas que acompanham a operação e até mesmo entre integrantes da força-tarefa liderada pelo juiz Sergio Moro que o espaço para delações premiadas se reduziu. Como se sabe, havia um jogo intenso de pressões para que dois empreiteiros, Ricardo Pessoa, da UTC, e José Adelmário Pinheiro, da OAS, aceitassem contar histórias sobre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, em troca da liberdade – o que foi classificado como "medievalesco" pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

O que fazer, diante desse quadro? As revistas Veja e Época, que vêm mantendo uma linha direta com a Lava Jato, antecipam o roteiro. 

No texto "Balança o tripé de Moro", o jornalista André Petry exemplifica o que pode vir a acontecer, ao comentar o tripé ancorado em "prisão, delação e divulgação".

"Nada impede que, a qualquer hora, o tripé de Moro volte a se erguer. Basta um motivo para prender um tubarão, quem sabe uma nova confissão de um empreiteiro vestindo tornezeleira eletrônica em casa. Ou, até mesmo, a entrada em cena de novos empreiteiros que constam do cartel da corrupção, como Odebrecht e Andrade e Gutierrez, mas que foram pouco incomodados até agora".

Ligações com o PSDB

Uma nova fase da Lava Jato contra as duas empreiteiras fugiria ao roteiro inicial da Lava Jato. Ambas foram, de fato, poupadas no início da operação, embora tenham sido amplamente citadas por delatores. Enquanto a Odebrecht seria, segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, a empresa que mais lhe pagou propinas no exterior, a Andrade seria a mais ligada ao operador Fernando Soares, o "Fernando Baiano".

No entanto, embora sejam bem maiores, inclusive na Petrobras, do que outras construtoras atingidas, ambas possuem vínculos muito fortes com o PSDB. A Andrade, por exemplo, foi a maior doadora de Aécio Neves, em 2014, e praticamente ganhou de presente o controle da gigante Cemig, graças a um polêmico acordo de acionistas assinado na gestão tucana – e que pode vir a ser contestado pelo atual governador, Fernando Pimentel (saiba mais aqui). 

No fim do ano passado, a Odebrecht também pressionou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) para que ele moderasse seu discurso na CPI da Petrobras (saiba mais aqui). Maior construtora do País, a Odebrecht, naturalmente, mantém relações políticas, institucionais e financeiras com todos os partidos, mas já adota o discurso de que uma "armação" contra a empresa estaria sendo preparada.

Cheiro de queimado

No entanto, ainda que houvesse a intenção de preservar Andrade e Odebrecht, tudo pode mudar, caso um dos objetivos da Operação Lava Jato seja mesmo atingir o ex-presidente Lula e inviabilizar sua candidatura à presidência da República em 2018.

A propósito, a capa de Época deste fim de semana, em que a revista faz lobby por uma empresa chinesa e acusa Lula de fazer lobby pela Odebrecht, insere-se nessa estratégia (saiba mais aqui).

O fato é que a Andrade Gutierrez já sentiu o cheiro de queimado, como relata o jornalista Lauro Jardim, em sua coluna Radar:

A Andrade Gutierrez, que até o momento não teve nenhum executivo preso na Lava-Jato, resolveu se precaver: contratou o mesmo escritório de advocacia que defende quatro diretores da OAS libertados pelo STF. A Andrade quer acompanhar mais de perto as investigações do Paraná.