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OSX também deve pedir recuperação judicial

Empresa de construção naval do ex-bilionário Eike Batista está considerando entrar com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, segundo fontes da Reuters, mesmo após a companhia ter confirmado uma importante rolagem de dívida; na semana passada, a OGX, também do grupo EBX, teve o mesmo fim

Empresa de construção naval do ex-bilionário Eike Batista está considerando entrar com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, segundo fontes da Reuters, mesmo após a companhia ter confirmado uma importante rolagem de dívida; na semana passada, a OGX, também do grupo EBX, teve o mesmo fim (Foto: Ana Pupulin)

Por Sabrina Lorenzi, Guillermo Parra-Bernal e Jeb Blount

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 6 Nov (Reuters) - A empresa de construção naval OSX, do ex-bilionário Eike Batista, está considerando entrar com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, disseram três fontes à Reuters, mesmo após a companhia ter confirmado uma importante rolagem de dívida.

Segundo as fontes, os documentos para o pedido de recuperação judicial da OSX --que, se confirmado, seguiria o caminho da empresa-irmã de petróleo OGX-- já estão prontos e o pedido na Justiça do Rio de Janeiro pode ocorrer a qualquer momento. O estaleiro tem dívidas de cerca de 5,3 bilhões de reais.

Nesta manhã, a OSX informou que sua subsidiária OSX Construção Naval renovou empréstimo-ponte de 461,4 milhões de reais com a Caixa Econômica Federal destinado à implantação de unidade de construção de plataformas no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. A renovação da dívida foi antecipada pela Reuters na terça-feira.

Segundo comunicado da OSX, a renovação do empréstimo vale por 12 meses a partir do vencimento original, em 19 de outubro deste ano. O contrato de garantia firmado com o Santander também foi aditado pelo mesmo prazo.

Um outro empréstimo-ponte de valor parecido obtido pela mesma subsidiária com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve seu vencimento prorrogado em 15 de outubro por 30 dias, e tem garantia pelo Banco Votorantim.

A OSX informou ainda que sua subsidiária acertou com Santander e Votorantim acordos de "standstill", válidos até outubro de 2014, que incluem cláusulas relativas "ao possível exercício do direito legal à recuperação judicial da companhia".

No fim da semana passada, a OSX admitiu que poderia exercer o direito legal à recuperação judicial, caso a administração da companhia considere a medida adequada para a continuidade dos negócios.

Procurada nesta quarta-feira, a OSX informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a "a recuperação judicial é uma possibilidade que a companhia está considerando, mas ainda não há definição sobre isso".

A OSX, cujos ativos incluem um estaleiro inacabado no Porto de Açu, no norte do Rio de Janeiro, é uma das principais credoras da OGX. A empresa de construção naval foi criada para fornecer plataformas de produção à OGX. que na última semana protagonizou o maior pedido de recuperação judicial da história por uma empresa da América Latina,

A OGX tem dívidas totais acima de 11 bilhões de reais, dos quais ao menos 2,45 bilhões de reais à OSX, de acordo com os documentos encaminhados pela petroleira no pedido de recuperação judicial.

Um eventual pedido de recuperação judicial ajudaria a OSX a salvar sua unidade de construção naval, parcialmente pronta para iniciar operações em Açu, segundo duas das fontes ouvidas pela Reuters.

A operadora de Açu, a LLX Logística, disse que avançou nas negociações para alterar acordos com a OSX para o uso do porto.

A ação da OSX operava em baixa de 14,06 por cento às 11h54, a 0,55 real. O papel não integra a carteira teórica do Ibovespa, que tinha queda de 0,59 por cento.