Petrobras planeja investir US$ 130,3 bi de 2015 a 2019

Estatal anunciou nesta segunda-feira que planeja investir 130,3 bilhões de dólares entre 2015 e 2019, uma queda de 37% em relação ao seu Plano de Negócios e Gestão 2014-2018; plano também prevê esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões em 2017/2018; ações da estatal chegaram a virar para alta após a divulgação do plano, mas voltaram a operar em queda no início da tarde

Logomarca da Petrobras em frente ao prédio da empresa em São Paulo. 23/04/2015 REUTERS/Paulo Whitaker
Logomarca da Petrobras em frente ao prédio da empresa em São Paulo. 23/04/2015 REUTERS/Paulo Whitaker (Foto: Gisele Federicce)

Por Lara Rizério

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 na manhã desta segunda-feira (29). Segundo a companhia, o plano tem como objetivos fundamentais a desalavancagem da Companhia e a geração de valor para os acionistas.

Os investimentos totais foram reduzidos em 37% quando comparados ao plano anterior. O montante de desinvestimentos em 2015/2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões (sendo 30% na Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia).

Dos investimentos da área de Exploração e Produção, 86% serão alocados para desenvolvimento da produção, 11% para exploração e 3% para suporte operacional. Serão destinados US$ 64,4 bilhões a novos sistemas de produção no Brasil, dos quais 91% no pré-sal. Na atividade de exploração no país, os investimentos estão concentrados no Programa Exploratório Mínimo de cada bloco.

No abastecimento serão investidos US$ 12,8 bilhões, sendo 69% em manutenção e infraestrutura, 11% na conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima, 10% na Distribuição. Os demais 10% incluem investimentos no Comperj para recepção e tratamento de gás, manutenção de equipamentos, dentre outros. Já na área de Gás e Energia tem alocados US$ 6,3 bilhões, com destaque para os gasodutos de escoamento  do gás do pré-sal e suas respectivas unidades de processamento (UPGNs).

O Plano também prevê esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões em 2017/2018.

A carteira de investimentos do Plano prioriza projetos de exploração e produção (E&P) de petróleo no Brasil, com ênfase no pré-sal. Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural.

O plano prevê o retorno da alavancagem às seguintes metas: alavancagem líquida inferior a 40% até 2018 e a 35% até 2020, e endividamento líquido/Ebitda inferior a 3,0 vezes até 2018 e a 2,5 vezes até 2020.

Produção A companhia também atualizou as metas de produção de óleo, LGN (líquido de gás natural) e gás natural no Brasil, refletindo postergação de projetos de menor maturidade ou atraso na entrega das unidades de produção, principalmente em função de limitações de fornecedores no Brasil, informou a estatal.

A estatal espera alcançar uma produção total de óleo e gás (Brasil e internacional) de 3,7 milhões de boed em 2020, ano no qual estimamos que o pré-sal representará mais de 50% da produção total de óleo.

"O plano prevê a adoção de medidas de otimização e ganhos de produtividade para reduzir os gastos operacionais gerenciáveis (custos e despesas totais, excluindo-se a aquisição de matérias-primas). Ações já identificadas demonstram que esse resultado pode ser alcançado por meio de maior eficiência na gestão de serviços contratados, racionalização das estruturas e reorganização dos negócios, otimização dos custos de pessoal e redução nos dispêndios de suprimento de insumos".

O plano ainda destacou que há três fatores de risco que podem impactar de forma adversa suas projeções de fluxo de caixa. São eles: mudanças de variáveis de mercado, como preço do petróleo e taxa de câmbio; operações de desinvestimentos e outras reestruturações de negócios, sujeitas às condições de mercado vigentes à época das transações e alcance das metas de produção de petróleo e gás natural, em um cenário de dificuldades com fornecedores no Brasil.

As ações da estatal chegaram a virar para alta após a divulgação do plano (confira na reportagem da Reuters, publicada às 10h42, abaixo), mas voltaram a operar em queda no início da tarde.

Ações da Petrobras revertem perdas e sobem mais de 2% após Plano de Negócios

SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Petrobras reverteram as perdas da abertura e avançavam na manhã desta segunda-feira, após a estatal anunciar mais cedo que planeja investir 130,3 bilhões de dólares entre 2015 e 2019, queda de cerca de 40 por cento ante o Plano de Negócios e Gestão 2014-2018.

Às 10h39, as preferenciais ganhavam 2,35 por cento, enquanto as ordinárias subiam 2,05 por cento. Os papéis da empresa eram os únicos listados no Ibovespa a operar no azul, enquanto o índice caía 0,79 por cento.

"O plano, de modo geral, passou uma mensagem bem mais realista que os anteriores", avaliou o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management, destacando que a questão da paridade de preços, o tamanho do corte dos investimentos e as premissas sobre câmbio foram indicações positivas, "embora difíceis de executar".

Ele questionou, contudo, falta de anúncio de teleconferência da empresa com analistas para explicar os números apresentados em fato relevante.

O analista Auro Rozenbaum, do Bradesco, chamou a atenção para a necessidade de a Petrobras explicar como vai realizar a redução dos indicadores de alavancagem, conforme propôs no novo plano de negócios, diante dos atuais níveis de preço do petróleo tipo Brent. "Considerando a quantidade de dívida, eu não sei como eles vão resolver", afirmou.

(Por Paula Arend Laier e Marta Nogueira)

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