“Pobres não estão nas cidades, nem no orçamento”, diz ex-secretária de Habitação
Inês Magalhães, que foi responsável pelo Minha Casa Minha Vida durante o governo Lula, explica em entrevista à TV 247 que a população mais pobre perdeu espaço no programa depois do golpe contra Dilma e que a pauta de moradia tem que ser debatida; "Esse é o grande debate, as cidades brasileiras têm de ser mais democráticas, temos que estabelecer um diálogo, a cidade tem que ser um assunto do conjunto da sociedade porque ela interfere na qualidade de vida das pessoas", diz ela; assista
247 - A ex-secretária Nacional de Habitação e responsável pelo Minha Casa Minha Vida durante o governo Lula, Inês Magalhães, opinou sobre a atual situação do programa e sobre o espaço da população mais pobre nas pautas de moradia em entrevista concedida à TV 247 nesta semana.
Para ela, as pessoas com baixa renda não têm lugar no orçamento do país. "Os pobres não estão nem nas cidades e nem no orçamento, esse é o grande debate, as cidades brasileiras têm de ser mais democráticas, temos que estabelecer um diálogo, a cidade tem que ser um assunto do conjunto da sociedade porque ela interfere na qualidade de vida das pessoas".
Ela também disse que o Brasil tem que ter uma verba destinada à moradia da população que não tem possibilidade de alcançar um financiamento em condições comuns. "Cidades mais justas tendem a tornar o tema do direito à cidade um tema a ser debatido por todo mundo, para além de colocar os mais pobres nas cidades, nós temos também que discutir que eles têm que caber no orçamento do país. Não é razoável que um país como o Brasil não tenha uma política forte de subsídios para habitação".
Inês criticou o atual desmonte da faixa do Minha Casa Minha Vida que atende os mais pobres. "Não dá para você estabelecer um programa de habitação em que a parte que atende os mais pobres desapareça, que é o que está acontecendo nesse momento. Nós temos que discutir isso, qual é o nível de subsídio, quanto pode ser para atender os mais pobres, qual a porcentagem, mas essa discussão não pode sair da pauta".
A ex-secretária comentou ainda sobre a importância da questão de gênero que foi levada em consideração no Minha Casa Minha Vida. "A decisão de empoderar as mulheres dando a elas a titulação da casa e da regularização fundiária é uma coisa muito importante. Isso é uma diretriz internacional de combate às desigualdades".
Ela também contou qual foi o desafio inicial do programa na sua origem. "Primeiro, criar um certo nicho de empresas e atores que trabalhassem com habitação popular no país, em escala, o grande diferencial do Minha Casa era a escala que ele proporcionou. Era importante que nós tivéssemos uma organização institucional que desse conta de atender uma boa parte das famílias que não são capazes de assumir uma hipoteca".
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