Pochmann: desafio é atrair trabalhadores de serviços a manifestações

Para o presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, uma grande parcela da classe trabalhadora, cada vez mais assentada no setor de serviços, não se submete mais à hierarquia de organização tradicional, representada pelos sindicatos, associações e partidos; por outro lado, tem sido submetida a grau de precarização e exploração maior; "Não é que eles não podem se organizar, é que não se encontrou ainda uma forma pela qual isso possa ser mais facilmente superado", avalia Pochmann;  segundo ele, os trabalhadores tradicionais perdem participação no total das pessoas que vão às ruas em atos políticos como contra o impeachment

Para o presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, uma grande parcela da classe trabalhadora, cada vez mais assentada no setor de serviços, não se submete mais à hierarquia de organização tradicional, representada pelos sindicatos, associações e partidos; por outro lado, tem sido submetida a grau de precarização e exploração maior; "Não é que eles não podem se organizar, é que não se encontrou ainda uma forma pela qual isso possa ser mais facilmente superado", avalia Pochmann;  segundo ele, os trabalhadores tradicionais perdem participação no total das pessoas que vão às ruas em atos políticos como contra o impeachment
Para o presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, uma grande parcela da classe trabalhadora, cada vez mais assentada no setor de serviços, não se submete mais à hierarquia de organização tradicional, representada pelos sindicatos, associações e partidos; por outro lado, tem sido submetida a grau de precarização e exploração maior; "Não é que eles não podem se organizar, é que não se encontrou ainda uma forma pela qual isso possa ser mais facilmente superado", avalia Pochmann;  segundo ele, os trabalhadores tradicionais perdem participação no total das pessoas que vão às ruas em atos políticos como contra o impeachment (Foto: Aquiles Lins)

Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual - Segundo algumas lideranças políticas vinculadas a setores democráticos brasileiros, há uma questão crucial que desafia os movimentos de esquerda diante das manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Trata-se da mobilização do proletariado e da classe trabalhadora. Um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, Roberto Amaral está entre os que têm defendido a necessidade de refletir sobre a dificuldade de mobilizar os trabalhadores, embora julgue que a participação da CUT e da CTB na luta contra o golpe e sua integração com movimentos sociais e partidos seja "muito produtiva" na conjuntura atual.

"O problema é que estamos com dificuldade de mobilizar os trabalhadores e as grandes massas. Temos feito mobilizações com presença preponderante da classe média", diz. "Nós não estamos conseguindo falar com as massas, as principais vítimas do novo governo. Ela continua arredia."

A questão é mais complexa quando se sabe que se trata de uma questão estrutural da economia do país, e que é um fenômeno mundial. Para o economista Marcio Pochmann, a economia está cada vez mais assentada no setor de serviços, composto por um conjunto de trabalhadores diferente da classe que ascendeu com a revolução industrial.

"Os trabalhadores de serviços têm uma característica muito diferente dos trabalhadores industriais tradicionais. Eles não mais se submetem à hierarquia de organização tradicional. Seus movimentos de maneira geral são horizontalizados. A estrutura de organização da velha classe trabalhadora se baseava numa estrutura hierarquizada de organizações, como é o caso dos sindicatos, associações e partidos."

Presidente da Fundação Perseu Abramo, Pochmann diz que essa nova classe trabalhadora, além de ter uma organização horizontal, revela também uma contradição. "Ao mesmo tempo em que essa classe aumentou, por outro lado, esses trabalhadores são submetidos a um grau de exploração muito maior. Mesmo assim, as instituições tradicionais (como sindicatos) não conseguem incorporar esses segmentos. Em parte porque não conhecem muito bem os seus anseios."

Segundo economista, esse conjunto é difícil de ser organizado, também, porque são trabalhadores de segmentos muito grandes de empresas, principalmente pequenas e médias. "É um desafio que está colocado, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Por isso há um esvaziamento dos sindicatos tradicionais e ao mesmo tempo uma ampliação de uma classe trabalhadora muito mais precarizada."

Nesse contexto, os trabalhadores tradicionais perdem participação no total das pessoas que vão às ruas em atos políticos como contra o impeachment. "Não é que eles não podem se organizar, é que não se encontrou ainda uma forma pela qual isso possa ser mais facilmente superado", avalia Pochmann. Segundo avaliação da Fundação Perseu Abramo, 40% da população "mais ou menos organizada" tem participado das manifestações, contra ou a favor do impeachment, e 60% estão fora.

Pesquisas
Um dos problemas é a falta de informação e pesquisa sobre o assunto. Um estudo da economista Vanessa Moraes Lugli junto ao Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), abrangendo o período de 2002 a 2012, mostra que a produtividade dos serviços atingiu 50% do valor da indústria, o salário médio chegou a 70% e a massa salarial do setor de serviços alcançou 94% do valor pago na indústria. O volume de emprego, 137%. Em 2007, de acordo com a pesquisa, a produtividade atingia 46,5% da indústria.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, sobre perfis das pessoas que participaram das manifestações a favor e contra o impeachment, é reveladora. Ela mostra que 12% dos cidadãos que foram às ruas em 2015 participam de sindicatos (eram 27% em 2015), 26%, do movimento social (24% em 2015) e 11%, de partidos políticos (24%).

Entre a população que foi às manifestações pelo impeachment, a participação é irrisória. Apenas 2% participam de sindicatos (contra 6% em 2015), 5%, de movimento social (3%) e 2%, de partidos, mesmo percentual do ano passado.

A pesquisa foi realizada junto ao público presente nas manifestações dos dias 13 e 15 de março de 2015 e 13 e 18 de março de 2016, na Avenida Paulista, em São Paulo.

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