Presidente da GM diz que crise atingiu em cheio o setor
Segundo Jaime Ardila, a classe C "praticamente saiu do mercado" de consumo de carros, comprados hoje apenas pelas classes A e B, que também diminuíram o padrão de compra; ele afirma que a situação se complica com a queda na confiança dos consumidores – o medo de perder o emprego – e o "esgotamento do modelo, em razão do alto endividamento das famílias"; o executivo, porém, se mostra otimista: "Mas o Brasil vai crescer de novo. Continua sendo um dos maiores mercados do mundo"
247 – A crise econômica atingiu em cheio o setor automotivo, na avaliação do presidente da General Motors, Jaime Ardila. Em entrevista à jornalista Cleide Silva, do Estadão, ele aponta que a classe C, principal responsável pelo crescimento contínuo das vendas de carros novos por quase dez anos, como informa a reportagem, "praticamente saiu do mercado", dominado hoje somente pelas classes A e B, que também diminuíram o padrão de compra.
Para explicar a queda repentina no consumo de carros, o executivo diz que "a indústria automobilística é pró-cíclica. Cresce mais rápido quando a situação econômica é boa e piora muito mais quando é ruim". Segundo ele, porém, "há dois fatores que complicam ainda mais".
"O primeiro é a queda forte na confiança dos consumidores – o medo de perder o emprego. Temos também um esgotamento do modelo, em razão do alto endividamento das famílias. As pessoas não têm mais condições de comprar carros. E fica ainda mais difícil com a inflação alta. Isso faz com que a queda nas vendas seja maior do que esperávamos", acrescenta.
Ardila diz ser "lógico que um adiamento do ajuste fiscal pode postergar a recuperação também". "Precisamos de um ajuste fiscal profundo e rápido, que é muito melhor do que um pequeno e lento", defende. A estimativa para começar uma recuperação, segundo ele, é "só na segunda metade de 2016".
De acordo com o presidente da GM, o que difere a crise atual de outras situações muito difíceis que o setor já passou é a capacidade da indústria ser "muito maior". "Todos fizeram investimentos baseados numa projeção de mercado que não se cumpriu. Temos capacidade em excesso e trabalhadores em excesso, o que complica mais a situação".
Para Jaime Ardila, a explicação para a instalação de fábricas de concorrentes novos no País é o fato de que "o Brasil era e continua sendo um mercado interessante". Mas se disse "surpreendido" com os investimentos de "alguns concorrentes tradicionais". Por fim, se mostra otimista: "Mas o Brasil vai crescer de novo. Continua sendo um dos maiores mercados do mundo".