Quebra de confiança

Um dos mais emblemáticos atos de quebra de confiança que assolam o país neste momento é a perda de confiança institucional na equipe econômica do governo e no empresário Eike Batista

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Um dos pontos principais dentro das relações financeiras é a questão da confiança. Confiar é muito mais amplo e notável do que apenas o estabelecimento de relações comerciais. É uma estrutura construída, conquistada, e em permanente manutenção, evolução.

Aportamos recursos em determinando banco por confiar em sua estrutura e em seus papéis. Escolhemos uma previdência privada por acreditar e confiar que daqui a 20, 30 anos, aquela instituição será capaz de devolver o capital com uma correção justa e que garantirá a continuidade de nossas vidas.

Um dos mais emblemáticos atos de quebra de confiança que assolam o país neste momento é a perda de confiança institucional na equipe econômica do Governo e perda de confiança em especial ao empresário Eike Batista. Nas duas pontas, o ato nasce da mesma forma. Há um rompimento de um modelo de promessas, sem ação efetiva e resultados concretos.

A equipe econômica promete corte de gastos, promete equacionamento das dívidas e investimentos, mas a base aliada já responde que não permitirá uma restrição orçamentária sem perda de capital político para o governo. Não há confiança na integridade da base de sustentação do governo, uma vez que muitos partidos já preparam seu desembarque federal para janeiro de 2014. Significa dizer que muitos partidos já não pretendem caminhar junto ao PT nas próximas eleições, e seu voo solo iniciará junto ao no ano.

Os resultados dos níveis inflacionários, que mostraram recentemente uma leve queda, ainda não conseguiram convergir energia suficiente para conjecturar confiança nos próximos resultados da economia.

Além disso, o sentimento internacional é de que a economia brasileira não fez suas reformas no tempo certo, e agora pagam seu preço sobre os problemas estruturais, como por exemplo, o grave gargalo logístico para escoar a produção de grãos.

Já com Eike, quase todos os projetos foram lançados embasados na confiança de se ganhar muito dinheiro investindo onde poucos se aventuraram. O capital sempre levantado via mercado acionário ou empréstimos vultosos do BNDES, construíram a rota de sucesso para seus negócios, pelo menos uma hipótese de sucesso.

A cada anúncio positivo, a confiança de que seus negócios eram infalíveis, ratificava o poderio de um homem com quase duas dezenas de empresas integradas e altamente equilibradas, com fluxo de caixa crescente e confiança em retornar os investimentos. Tudo isso ficou provado agora que não passou de meras impressões, meras imprecisões.

Porém, a corrente mudou, e os resultados não apareceram, e o nível de confiança de esgotou. Junto disso, o financiamento escasseou e as oportunidades de outrora, agora são certezas de fracassos. O grande número de empresa pulverizavam o foco de gestão dos negócios principais, e, se mostraram fontes de prejuízos ímpares. Além disso, especula-se sobre as relações entre BNDES e as empresas do Grupo X.

Quebrou-se a confiança, e juntamente dela, diversos outros problemas começaram a crescer. Os investidores sabiam que o período de maturação de cada empresa seria longo, mas confiavam na capacidade do empresário em resolver os gargalos.

Quando da quebra deste apoio, a linha tênue entre desconfiança e confiança, se materializou e rapidamente substituiu a positividade. Reside neste momento outro importante fato. Como as empresas do Grupo X ainda não tinham resultados concretos, tudo, e absolutamente tudo estava arqueado no rol da confiança. Ruiu o apoio, ruiu a confiança, ruiu o crédito. Ruiu o grupo.

Uma outra ação que reforça tal argumentação de quão tênue esta linha de confiança existe, foi quando do anúncio da entrada do Banco BTG para captar investimentos para a empresa e reestruturas suas dívidas. Rapidamente os resultados da bolsa subiram, mas a prática se mostrou mais complexa que a teoria. Como as ações no mercado acionário são mais intensas e rápidas que no lado real da economia, a queda foi ainda mais surpreendente e fatal.

Enfim, os níveis de confiança precisam ser retomados ao longo de todos os elos de sustentação da economia nacional, e precisa ser e estar presente dentro das relações privadas de capital. Eike é um exemplo que transmite e ratifica a importância de se ter confiança para abrir novos caminhos, mas sem uma manutenção e realimentação desta confiança, rapidamente se perde o lastro desta relação.

Os agentes motivadores estão diretamente ligados a resultados concretos, e em se tratando de mercado financeiro, os resultados concretos passam por produção e lucro.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247