Queda da indústria é o dobro do que mercado esperava
"Estimativas de 23 analistas consultados pelo Valor Econômico esperavam de recuo médio de 0,9%; já os analistas ouvidos pela Reuters previam queda de 1% no volume da produção. O dobro, portanto, da queda esperada", destaca o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço; "A retomada da economia só existe, mesmo, mas declarações de empresários e investidores, ávidos pelo que vai lhes sobrar de uma eventual aprovação das leis trabalhistas e da Previdência", diz ele
Por Fernando Brito, do Tijolaço - A queda de 1,8% da produção industrial brasileira, em março, registrada pelo IBGE na pesquisa divulgada hoje, é o pior resultado da indústria para março desde 2002, início da série histórica.
Estimativas de 23 analistas consultados pelo Valor esperavam de recuo médio de 0,9%; já os analistas ouvidos pela Reuters previam queda de 1% no volume da produção.
O dobro, portanto, da queda esperada.
Janeiro e fevereiro tiveram, respectivamente, queda de 0,4% em janeiro e variação nula (0,0%), sempre em relação ao mês anterior.
O resultado só não foi pior porque petróleo e minério de ferro tiveram expressivos aumentos em seus preços internacionais em março, o que já se reverteu em abril.
O IBGE admite que o desemprego é a chave maldita que nos mantem trancados na crise. À Reuters, o economista do Instituto, André Macedo, diz que “o mercado doméstico ainda tem dificuldade com o número elevado de desocupados, com o rendimento desfavorável, com o comprometimento de renda e a inadimplência”.
A retomada da economia só existe, mesmo, mas declarações de empresários e investidores, ávidos pelo que vai lhes sobrar de uma eventual aprovação das leis trabalhistas e da Previdência.
Natural: como ganham mais dinheiro especulando do que produzindo, produzir não é sua maior prioridade.
