Recuperação da economia é a mais fraca em 40 anos

A recessão provocada pelo golpe de 2016 e aprofundada pelo governo Bolsonaro está levando a economia brasileira a um recorde dramático: em 40 anos, é a recuperação econômica mais lenta do País. Economistas apontam que a receita de Paulo Guedes, em vez de ativar a economia, está aprofundando a recessão. “O problema é que a gente trocou diretrizes de política econômica muito focadas pelo lado da demanda, como a do governo Dilma Rousseff, por uma agenda muito focada no lado da oferta”, diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi

247 - A recessão provocada pelo golpe de 2016 e aprofundada pelo governo Jair Bolsonaro está levando a economia brasileira a um recorde dramático: em 40 anos, é a recuperação econômica mais lenta do país. Os economistas apontam que a receita do ministro Paulo Guedes (Economia), em vez de ativar a expansão do PIB, está aprofundando a recessão. “O problema é que a gente trocou diretrizes de política econômica muito focadas pelo lado da demanda, como a do governo Dilma Rousseff, por uma agenda muito focada no lado da oferta”, diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.

Com a maior crise econômica de sua história, o Brasil recuperou somente 30% dos cerca de R$ 486 bilhões perdidos durante a última recessão econômica, que se entendeu de 2014 a 2016 e faltam cerca de R$ 338 bilhões para que o Produto Interno Bruto (PIB) volte ao patamar pré-crise. Agora, um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) é taxativo: pela primeira vez o governo pela primeira vez não está contribuindo para a recuperação da economia. O texto da FGV foi publicado em reportagem de Daniela Amorim, do jornal O Estado de S.Paulo. 

Há pouco mais de três anos, Dilma Rousseff sofreu um golpe e o ultraneoliberalismo veio com força no País para impor uma agenda baseada na entrega de setores estratégicos para estrangeiros, corte de direitos e congelamento de investimentos públicos. 

Atualmente, 7 entre as 12 atividades econômicas estão operando abaixo do período pré-crise: indústria de transformação, comércio, informação e comunicação, construção, transporte e armazenamento, atividades financeiras e outros serviços.

"Mesmo que estejam crescendo, elas não conseguiram se recuperar”, explicou a economista Juliana Trece, pesquisadora do Ibre/FGV e responsável pelo levantamento. “Das oito atividades que retraíram na recessão, apenas os serviços imobiliários já se recuperaram após 20 trimestres”, completou.

Depois de mais de dois anos de crescimento, o PIB continua 5,3% abaixo do nível pré-recessão. Desde 1980, o Brasil esteve em recessão por nove vezes. Passados 20 trimestres desde o início do período recessivo, a economia tinha superado o patamar pré-crise em todas as ocasiões, menos nas recessões de 1987 (quando permanecia 3,1% aquém do pré-crise) e na de 2014 (-5,3%).

“É curioso, porque a recessão de 87 teve mais de um período recessivo dentro desse período de recuperação de 20 trimestres (a recessão de 1989). Mesmo assim, essa recuperação da recessão que estamos agora é a que está em pior nível”, afirmou Trece.

De acordo com analistas, uma das explicações para a dificuldade da recuperação é que o baixo consumo do governo, que desde o término da recessão, teve ligeira redução de 0,1%. “Está praticamente estagnado”, resumiu Trece.

Na comparação com o patamar pré-crise, houve uma retração de 1,2% no consumo do governo, ou seja, a administração pública ainda não contribuiu para a recuperação econômica desde a última recessão.

“A administração pública normalmente crescia durante as recessões, porque era uma forma de o governo tentar ativar a economia. Então acabava investindo e ajudando a movimentar um pouco a economia. Só que agora, sem dinheiro, com essa relação dívida x PIB alta, o governo está sem recursos para poder investir”, ponderou Trece.






Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247