Sabe o dinheiro da “repatriação”? Foi todo no rombo do Tesouro em novembro

Lembra dos R$ 40 bilhões de recursos extraordinários (já descontada a parte dos estados e municípios) que a lavagem, digo, a repatriação de recursos de brasileiros no exterior rendeu ao Tesouro? Esqueça-os. Foram quase que totalmente “comidos” pelo rombo das contas públicas de novembro: déficit de R$ 38,4 bilhões; artigo de Fernando Brito, editor do Tijolaço

Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se reúne com o presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, para esclarecer questões sobre o ajuste fiscal, em debate no Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se reúne com o presidente do TST, Ives Gandra Martins Filho, para esclarecer questões sobre o ajuste fiscal, em debate no Congresso Nacional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Lembra dos R$ 40 bilhões de recursos extraordinários (já descontada a parte dos estados e municípios) que a lavagem, digo, a repatriação de recursos de brasileiros no exterior rendeu ao Tesouro?

Esqueça-os.

Foram quase que totalmente “comidos” pelo rombo das contas públicas de novembro: déficit de R$ 38,4 bilhões, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

A receita líquida total, em valor real, caiu 7,2 por cento sobre igual novembro do ano passado. A despesa total subiu 9,7 por cento na mesma comparação..

Como o déficit esperado para dezembro é de R$ 73 bilhões, 2016 termina com um rombo de R$ 163 ou 164 bilhões, segundo os cálculos do próprio Governo.

Mesmo com aquela “bolada extra” da repatriação , que não é estrutural, a apenas R$ 6 bilhões dos inflados R$ 170 bilhões de saldo negativo.

E a que preço!

A diferença é igual ao que se cortou, entre janeiro e novembro, do Minha Casa, Minha Vida: R$ 6,8 bilhões, menos 53,4% do que se investiu em habitação popular no ano passado.

Ou bem próxima dos R$ 6 bilhões que se deixou de investir em obras do PAC, queda de 16,2% em relação ao período janeiro/novembro de 2015.

Sem retomada da atividade econômica no horizonte, fica claro que é impossível atingir, para 2017, a redução do déficit a R$ 130 bilhões.

E não pode demorar, porque nenhum imposto ou contribuição pode ser cobrado com menos de 90 dias de sua promulgação em lei, o que faz  com que, na prática, algo assim só vá poder ser cobrado em agosto ou setembro, no mínimo.

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