Se nos tratarem mal do lado de cá vamos para o lado de lá, diz Guedes sobre relações comerciais

"O eixo de crescimento do mundo está na Ásia, se nos tratarem mal do lado de cá, nós vamos para o lado de lá”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, o aprofundamento da relação com os EUA dependerá da política

Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Marcela Ayres, Reuters - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira que se o país não for bem tratado no ocidente, voltará suas atenções comerciais à Ásia, ao mesmo tempo em que reconheceu que o aprofundamento da relação com os Estados Unidos dependerá da política.

Ao participar virtualmente do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), ele defendeu que o Brasil precisa ampliar sua presença no agronegócio mundial e que olhar para o oriente faz sentido dentro dessa estratégia.

“Se nós conseguirmos ter com a Índia o mesmo fluxo de comércio que temos com a China, o Brasil estará alimentando metade da população do planeta”, disse.

“Então toda atenção aos americanos, toda atenção aos europeus, mas o Brasil já se moveu e já está indo para o ponto futuro. O eixo de crescimento do mundo está na Ásia, se nos tratarem mal do lado de cá, nós vamos para o lado de lá. E o Brasil quer dançar com todo mundo”, completou.

Especificamente sobre os Estados Unidos, o ministro pontuou que houve acordo fechado recentemente, em menção a um Protocolo ao Acordo de Comércio e Cooperação Econômica para ampliar os fluxos bilaterais de comércio e investimento, assinado em outubro.

“Vamos ver o desenvolvimento aí à frente, dependendo da política. Mas nós estamos totalmente abertos a aprofundar as nossas ligações comerciais”, disse.

Os termos do acordo foram assinados às vésperas das eleições norte-americanas. Entusiasta do atual presidente Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro ainda não reconheceu a vitória do democrata Joe Biden no pleito.

Nesta semana, Bolsonaro afirmou que somente a diplomacia pode ser insuficiente para contornar o embate em relação à proteção da Amazônia, após se referir indiretamente a declarações de Biden sobre levantar barreiras comerciais contra o Brasil para interromper o que o norte-americano chamou de destruição da floresta.

Guedes frisou que a pauta ambiental é importante e que o Brasil precisa se engajar na utilização sustentável dos recursos naturais. Segundo o ministro, é necessário descobrir formas verdes de avançar economicamente na região amazônica.

Ele reiterou, contudo, que países protecionistas que querem impedir o avanço da agricultura brasileira têm feito uso político do tema.

“Nós temos a matriz energética mais limpa do mundo, nós temos a maior área de preservação ambiental das maiores economias do mundo. Evidentemente temos que aperfeiçoar nossos sistemas sempre, tentando melhorar o tempo inteiro, mas não podemos aceitar a ideia de que nós, em um ano e meio (de governo) é que estamos alterando o clima do planeta. Não é verdade, são narrativas políticas e nós temos que estar atentos a isso”, disse.

Retomada no Brasil

Sobre a retomada econômica no país, Guedes avaliou que o ritmo de criação de empregos no país está tão forte que talvez seja difícil mantê-lo.

“É um fato que Brasil está saindo da recessão”, disse o ministro.

O ministro reforçou que o governo não descumprirá o teto de gastos, o que classificou como uma “barreira contra a irresponsabilidade”, e afirmou que os impostos não serão elevados.

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