"Se o presidente diz que vai desrespeitar decisão judicial, pode atropelar o BC", diz Gustavo Loyola
Ex-presidente do Banco Central no governo FHC, Gustavo Loyola diz que o autoritarismo do governo Bolsonaro representa um risco de interferência política na instituição e preocupa o mercado
247 - Defensor da autonomia do Banco Central, Gustavo Loyola, ex-presidente da instituição no governo FHC, diz que o autoritarismo do governo Bolsonaro representa um risco de interferência política.
“Se o presidente [Bolsonaro] diz que vai desrespeitar decisão judicial, pode também atropelar o BC. Em um contexto em que o chefe do Executivo não parece propenso a respeitar as instituições, o risco de a autonomia do BC ficar no papel aumenta", diz Loyola, que atualmente é diretor-presidente da Tendências Consultoria.
A autonomia do BC foi uma das demandas do mercado financeiro que o governo Bolsonaro deu andamento. Em vigor desde fevereiro, a autonomia do Banco Central impede que que o governo interfira na direção da instituição e nem nas políticas por ela adotadas, mesmo que considere importante a adoção de medidas que visem a redução da taxa de juros e que facilitem a ampliação das linhas de créditos para apoiar o crescimento da economia, por exemplo.
Apesar de cumprir a agenda do mercado, Bolsonaro nao é visto com confiança pelo setor. Loyola diz acompanhar com preocupação a evolução do quadro político no país. Ele ainda diz que a volta do ex-presidente Lula, que aparece na preferência nas pesquisas eleitorais, é considerada um risco.
“E o segundo risco é o da volta do ex-presidente Lula, que não é muito positivo do ponto de vista econômico, depois do desastre que foi o governo da ex-presidente Dilma Rousseff no campo da economia”, diz ele, que defende que a terceira via é factível e pode ser promissora. “Depende de ser trabalhada para que ocorra, não vai cair do céu, é uma responsabilidade das lideranças políticas.”
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