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Siderúrgica chinesa nega desistência de parceria com Eike

Wisco desmente notícia da véspera e garante que "as duas partes estão avançando" em projeto de usina de US$ 5 bi. Ao comentar seu "inferno astral" na Bolsa, empresário diz: "Jamais sorteie uma empresa de petróleo que tem bilhões de barris descobertos e está forrada de caixa".

Siderúrgica chinesa nega desistência de parceria com Eike (Foto: ISMAR INGBER)

247 - A Wuhan Iron & Steel Group (Wisco), quarta maior siderúrgica da China, negou nesta quarta-feira, 4, que tenha desistido de construir uma usina de US$ 5 bilhões em parceria com o grupo EBX, de Eike Batista, no porto de Açu, no Rio de Janeiro. Com capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano, a usina deve se tornar o maior investimento da China no Brasil e a maior siderúrgica já construída por um grupo chinês no exterior.

"Não há desistência e as duas partes ainda estão trabalhando no projeto", disse um porta-voz da siderúrgica chinesa. O cronograma inicial do projeto previa início de produção em 2012, mas a Wisco não forneceu mais detalhes.

A notícia da desistência havia sido publicada na véspera pelo jornal 21st Century Business, que, citando duas fontes, afirmara que o alto custo de logística teria sido o principal motivo para que a Wisco abandonasse o negócio bilionário. O projeto exigirá a construção de uma ferrovia de 300km para transportar matéria-prima para a usina.

"A unidade da Wuhan Steel no Brasil não recebeu qualquer aviso para cancelar o estudo de viabilidade e as duas partes estão avançando conforme o plano", disse a Wisco em sua página oficial no microblog Weibo, o Twitter chinês.

Em entrevista rápida por telefone à Agência Estado, quando voltava de Brasília ao Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, Eike também confirmou que a parceria com a Wisco segue em frente. O empresário se reuniu ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e disse que foi a Brasília convidá-lo a visitar o porto de Açu.

Eike disse, ainda, não ter se abalado com o rabaixamento da nota da OGX pela Fitch, nem pela perspectiva negativa da Moody's. "A S&P não rebaixou", provocou. "Cada uma dessas agências tem o seu viés. (Não vejo) como nada", disse à Agência Estado.

Ao ser questionado sobre seu "inferno astral", com as pesadas baixas sofridas pelas ações de suas empresas na Bolsa, Eike reagiu com risos: "O mercado é o mercado (rindo)... Eu te digo, como diria o Barão de Itararé: jamais sorteie uma empresa de petróleo que tem bilhões de barris descobertos e está forrada de caixa".