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"Situação da Avibrás está sendo resolvida e Brasil terá grande indústria na área de mísseis especiais", reforça Múcio

Governo reforça estratégia para preservar empresa estratégica e consolidar autonomia tecnológica no setor de defesa

São Paulo (SP), 17/12/2024 - .Ministro da Defesa José Mucio concede entrevista a imprensa na frente da casa do presidente Lula Pinheiros. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

247 – O governo federal indicou que a situação da Avibras, uma das principais empresas da indústria de defesa brasileira, está em processo de solução, dentro de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e de preservação da soberania nacional. As informações foram publicadas em reportagem do jornalista Leonardo Sobreira, da Sputnik Brasil.

A sinalização ocorre no contexto do lançamento do Catálogo de Produtos da Base Industrial de Defesa, que reúne 364 produtos e 154 empresas, e que foi apresentado como instrumento para ampliar mercados, estimular investimentos e consolidar a indústria nacional como eixo estratégico do desenvolvimento.

Durante o evento, autoridades destacaram que a preservação de empresas como a Avibras é fundamental para garantir a continuidade de projetos sensíveis e a manutenção da capacidade tecnológica do país em áreas críticas. Embora a companhia enfrente dificuldades financeiras nos últimos anos, o governo tem atuado para evitar a perda de ativos estratégicos e de conhecimento acumulado ao longo de décadas.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reforçou que o Brasil precisa fortalecer sua indústria de defesa com foco em autonomia e desenvolvimento. "Podemos crescer muito pensando na dissuasão, não na agressão, pensando na geração de emprego, de impostos, no desenvolvimento tecnológico", afirmou.

A Avibras é reconhecida internacionalmente por seus sistemas de artilharia e foguetes, como o Astros, e sua eventual fragilização é vista como um risco não apenas econômico, mas também geopolítico. Nesse sentido, a atuação do governo busca evitar dependência externa em tecnologias sensíveis e garantir que o país mantenha capacidade própria de produção e inovação no setor.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que a indústria de defesa desempenha papel central na estratégia de reindustrialização do país. "Uma indústria de defesa forte é um seguro de vida para a nação e um motor para a Nova Indústria Brasil [NIB]", declarou.

Segundo Alckmin, o fortalecimento desse segmento tem impacto direto em cadeias produtivas de alta tecnologia e pode irradiar ganhos para setores como saúde, agricultura e ciência. Ele também lembrou que a produção nacional de equipamentos de defesa é um dos pilares da política industrial em curso.

O governo também aposta no apoio de instituições como o BNDES, a Finep e a Embrapii para viabilizar soluções estruturais para empresas estratégicas e estimular a inovação. A lógica é integrar financiamento público, pesquisa tecnológica e capacidade produtiva, criando condições para que o Brasil amplie sua presença no mercado internacional.

A ministra Esther Dweck destacou que instrumentos como o catálogo recém-lançado ajudam a estruturar esse processo. "Importantíssimo para continuar fazendo com que a nossa indústria de defesa seja um instrumento para o desenvolvimento sustentável do Brasil", afirmou.

Já o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, ressaltou que a política para o setor vai além da organização de dados e busca abrir novos mercados. "O catálogo vai além do registro de produtos e serviços. Trata-se de um instrumento de abertura de mercado", disse.

A perspectiva do governo é que, com a reorganização de empresas estratégicas como a Avibras e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, o Brasil avance na construção de uma indústria mais robusta, inovadora e competitiva, capaz de garantir autonomia tecnológica e ampliar sua inserção global.

Além do impacto econômico, a questão também tem dimensão estratégica. Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e disputas tecnológicas, manter capacidade própria de defesa é visto como elemento central para preservar a soberania nacional e evitar vulnerabilidades externas.

Nesse contexto, a solução para a Avibras é tratada como parte de um movimento maior: assegurar que o Brasil não apenas recupere sua capacidade industrial, mas também consolide uma posição independente em setores considerados essenciais para o futuro do país.

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