Superávit das contas externas do Brasil fica abaixo do esperado para setembro, investimento estrangeiro despenca

O Brasil registrou em setembro superávit em suas transações correntes, de US$ 2,320 bilhões. O resultado do mês passado veio abaixo do superávit de US$ 3,00 bilhões esperado por analistas. Os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 1,6 bilhão, bem abaixo dos US$ 6 bilhões registrados em setembro do ano passado

País continua com dificuldades de atrair investidores
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BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou em setembro o sexto mês seguido de superávit em suas transações correntes, de 2,320 bilhões de dólares, levando o déficit em 12 meses a cair a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB), menor patamar desde abril de 2018.

O resultado do mês passado, divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central, veio abaixo do superávit de 3,00 bilhões de dólares esperado por analistas em pesquisa Reuters e se compara a um déficit de 2,727 bilhões de dólares em setembro do ano passado.

Já os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram 1,6 bilhão de dólares, bem abaixo dos 6 bilhões de dólares registrados em setembro do ano passado e também inferior à expectativa de 2,1 bilhões de dólares apontada em pesquisa Reuters.

Para outubro, o BC projetou superávit em transações correntes de 1,2 bilhão de dólares, com IDP de 1,0 bilhão de dólares. Até o dia 20, o fluxo de investimento estrangeiro era positivo em 559 milhões de dólares, segundo a autoridade monetária.

A pandemia do coronavírus impactou mais fortemente as importações do Brasil do que as exportações e, como resultado, os saldos comerciais do país têm crescido nos últimos meses.

Também tem havido diminuição dos déficits nas contas de comercialização de serviços com o exterior e das remessas de lucros e dividendos por empresas estrangeiras atuando no país, sob o impacto da crise com o surto de Covid-19 na economia.

Como resultado desses movimentos, o saldo em transações correntes do país tem melhorado, com redução do déficit. Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos no país (IDP) têm caído fortemente. No acumulado em 12, meses, o fluxo do IDP soma 3,31% do PIB, menor nível desde julho de 2018, quando estava nesse mesmo patamar.

Nos nove primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes foi de 6,476 bilhões de dólares, bem abaixo dos 36,748 bilhões de dólares registrado em igual período do ano passado. Já o IDP somou 28,554 bilhões de dólares até setembro, ante 52,032 bilhões de dólares no mesmo período em 2019.

A expectativa do BC é que o país feche o ano com déficit em transações correntes de 10,2 bilhões de dólares e IDP de 50 bilhões de dólares.

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