Taxar super-ricos traria R$ 272 bi contra crise do coronavírus, dizem entidades

Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho, Eduardo Fagnani afirma que algumas das medidas propostas “podem ser implementadas em 90 dias com a ajuda do Congresso Nacional”

Cédulas falsas com o número de série repetido.
Cédulas falsas com o número de série repetido. (Foto: Daniel Isaia/Agência Brasil)

247 - Tributar os super-ricos pode levantar 272 bilhões de reais para serem usados na crise econômica e sanitária causada pelo coronavírus, informa matéria publicada no Blog do Sakamoto, no Uol.

Segundo afirma a matéria, esta medida é defendida pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), os Auditores Fiscais pela Democracia (AFD) e o Instituto Justiça Fiscal (IJF), que divulgaram documento, nesta terça (23), com 14 propostas para serem implementadas a fim de amenizar os impactos econômicos da Covid-19 no país.

Para um Fundo Nacional de Emergência iriam especificamente R$ 100 bilhões. Os recursos sairiam da tributação da renda e do patrimônio dos super-ricos “através da taxação de dividendos, grandes heranças e fortunas, entre outras medidas”.

"Preocupar-se com as finanças públicas num momento desses é perverso e contraproducente. Gastar muito pouco é uma ameaça maior à prosperidade do que gastar muito. Empréstimos generosos, garantias e programas de apoio de renda deveriam ser implementados", diz professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho, Eduardo Fagnani, que participou da elaboração da proposta. Fagnani também foi coordenador do estudo que fundamentou a proposta de Reforma Tributária da oposição na Câmara dos Deputados.

Segundo ele, estas medidas foram colocadas pelo jornal Financial Times, “que não pode ser acusado de ser contra o mercado". O professor defende que “taxar os super-ricos ao invés de retirar proteções dos mais pobres ganhou apoiadores entre economistas liberais e gestores públicos em todo o mundo”.

Além disso, afirma que algumas destas medidas propostas “podem ser implementadas em 90 dias com a ajuda do Congresso Nacional”.

"Em última instância, basta vontade política. Para os muito ricos, isso significaria muito pouco, uma lasca do que eles têm. Mas pode ajudar milhões de brasileiros a sobreviverem com dignidade durante a crise, e depois dela", conclui.

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