Temendo delação de Palocci, governo prepara BC para salvar bancos

Desgastado e já temendo os efeitos da delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o governo editou ontem uma medida provisória (MP) que aumenta os poderes do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão que regula o mercado de capitais); a iminência da delação de Palocci também está no radar do BC, que quer proteger o sistema financeiro dos impactos que, teme-se, esta poderá causar nos bancos; a equipe econômica ainda se prepara para fatos novos que podem surgir sobre a relação entre o governo e o banco BTG Pactual, de André Esteves, nos últimos anos

Palocci é escoltado por policiais em Curitiba. 26/9/2016. REUTERS/Rodolfo Buhrer
Palocci é escoltado por policiais em Curitiba. 26/9/2016. REUTERS/Rodolfo Buhrer (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Em meio ao desgaste da delação da JBS e buscando se preparar para o que pode vir nos relatos do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o governo editou ontem uma medida provisória (MP) que aumenta os poderes do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão que regula o mercado de capitais).

O governo elevou as multas máximas para bancos que cometerem infração de R$ 250 mil para R$ 2 bilhões. Mas as mudanças vão além: a MP cria acordo de leniência para instituições financeiras e ainda permite que o BC possa firmar negociações como o Termo de Ajustamento de Conduta, que já é usado pelo Tribunal de Contas da União.

A iminência da delação de Palocci também está no radar do BC, que quer proteger o sistema financeiro dos impactos que, teme-se, esta poderá causar nos bancos. A equipe econômica ainda se prepara para fatos novos que podem surgir sobre a relação entre o governo e o banco BTG Pactual, de André Esteves, nos últimos anos.

— Ninguém sabe ao certo o que está por vir. O Banco Central tem de estar preparado para tudo — falou uma alta fonte da equipe econômica.

Apesar das mudanças, as multas só valem para delitos cometidos a partir da edição da MP, ou seja, a partir de ontem. No entanto, dá mais poderes para as autoridades investigarem fatos ocorridos no passado, como os possíveis ganhos obtidos pela JBS no mercado financeiro dias antes da divulgação da gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, de sua conversa com o presidente Temer.

As informações são de reportagem de Gabriela Valente em O Globo.

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