Temer diz que Brasil será excluído de tarifas de aço, mas EUA não confirmam

Michel Temer afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos não vão aplicar tarifas de importação de aço e alumínio do Brasil enquanto o país estiver negociando com Washington ser isentado das sobretaxas; declaração, porém, não foi confirmada pelo órgão de comércio dos EUA, que afirmou por meio de porta-voz que uma eventual decisão de isenção de outros países além de México e Canadá precisa da aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump

Temer diz que Brasil será excluído de tarifas de aço, mas EUA não confirmam
Temer diz que Brasil será excluído de tarifas de aço, mas EUA não confirmam (Foto: Beto Barata/PR)
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Por Lisandra Paraguassu e David Lawder, da Reuters

Michel Temer afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos não vão aplicar tarifas de importação de aço e alumínio do Brasil enquanto o país estiver negociando com Washington ser isentado das sobretaxas.

A declaração, porém, não foi confirmada pelo órgão de comércio dos EUA, que afirmou por meio de porta-voz que uma eventual decisão de isenção de outros países além de México e Canadá precisa da aprovação do presidente norte-americano, Donald Trump.

Temer fez o comentário em discurso na abertura de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto.

“As novas tarifas, mensagem da Casa Branca, não se aplicarão enquanto estivermos conversando sobre o tema”, disse, citando declarações que teriam sido feitas por autoridades da Casa Branca mais cedo.

Porém, uma porta-voz do representante comercial norte-americano ao ser questionada pela Reuters sobre os comentários do governo brasileiro não confirmou “qualquer decisão neste momento”.

Um decreto presidencial é necessário para qualquer exclusão adicional de país, seja temporariamente ou no longo prazo, algo que ainda não foi assinado por Trump.

Durante reunião nesta quarta-feira de uma importante comissão do Congresso dos Estados Unidos, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, reconheceu que a situação do Brasil, como grande fornecedor de produtos siderúrgicos intermediários ao país, é “única e sabemos que temos que levar em consideração” os pleitos brasileiros.

Na avaliação de fontes do lado brasileiro ouvidas pela Reuters, o que houve foi “um ruído” na comunicação.

“As informações que existem hoje é que as taxas passarão a ser aplicadas a partir de sexta-feira e as negociações (para isenção do Brasil) começarão em breve”, disse uma das fontes.

As ações do setor siderúrgico avançaram nesta quarta-feira. A CSN, que exporta parte de sua produção aos EUA, liderou o movimento, fechando em alta de 5,46 por cento. Usiminas teve ganho de 2,5 por cento e Gerdau, que tem instalações produtivas nos EUA, avançou 1,5 por cento.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, recebeu a informação sobre a fala de Lighthizer do embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, e repassou a Temer em um bilhete durante a reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Em algum momento, alguém inferiu que a taxação estaria suspensa durante as negociações mas, de acordo as fontes, essa garantia não existe.

“As negociações nem iniciaram ainda. É possível que com o decorrer das negociações as taxas possam ser suspensas, mas não sabemos ainda”, disse uma das fontes.

Consultada, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República reiterou, por telefone, que Temer baseou sua fala nos comentários de Lighthizer e que recebeu informações repassadas pelo Itamaraty. Ao tratar da não aplicação de taxas, Temer estaria falando do futuro, justificou a Secom.

Os EUA já concederam isenções para o Canadá e o México das tarifas de 25 por cento sobre aço e de 10 por cento sobre alumínio que foram impostas por Trump no início deste mês.

O Brasil exportou para os Estados Unidos em 2017 cerca de 5 milhões de toneladas de aço, segundo maior fornecedor do país depois do Canadá, das quais aproximadamente 4 milhões de toneladas corresponderam a produtos semiacabados, que precisam ser laminados em usinas locais antes de serem utilizados em produtos finais como carros e eletrodomésticos.

Em nota divulgada no fim do dia, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, afirmou que o governo brasileiro “tem feito diversas gestões com os EUA” sobre as tarifas de aço e alumínio e que o ministro Marcos Jorge “espera um desfecho positivo, no qual o Brasil não seja indevidamente atingido por restrições comerciais”.

Reportagem adicional de Marcela Ayres e Leonardo Goy, em Brasília

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