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Temer tenta intervir na Vale, que é privada

Governo provisório de Michel Temer busca trocar o comando da Vale, substituindo seu presidente Murilo Ferreira; os acionistas privados, que são Bradesco, Mitsui e Previ, resistem; em reunião com Temer, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, argumentou que a governança corporativa da Vale não estaria sendo respeitada se houvesse uma mudança por razões que não passassem pela avaliação do conselho de administração da empresa; contrato de Ferreira no comando da empresa vai até abril de 2017

Governo provisório de Michel Temer busca trocar o comando da Vale, substituindo seu presidente Murilo Ferreira; os acionistas privados, que são Bradesco, Mitsui e Previ, resistem; em reunião com Temer, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, argumentou que a governança corporativa da Vale não estaria sendo respeitada se houvesse uma mudança por razões que não passassem pela avaliação do conselho de administração da empresa; contrato de Ferreira no comando da empresa vai até abril de 2017 (Foto: Aquiles Lins)

247 - O presidente interino Michel Temer está tendo uma queda de braço com os acionistas privados da mineradora Vale, o Bradespar e a Mitsui. Temer se reuniu no último dia 21 de maio com o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ocasião em que revelou seu desejo de retirar Murilo Ferreira do comando da empresa.

Segundo o Valor, Trabuco teria respondido que a governança corporativa da Vale não estaria sendo respeitada se houvesse uma mudança por razões que não passassem pela avaliação do conselho de administração da empresa. O contrato de Ferreira no comando da empresa vai até abril de 2017.

A posição de Trabuco é a de que a saída de Murilo Ferreira antes do prazo pode ser mal interpretada pelo mercado, podendo ocasionar desvalorizações das ações da empresa, além de enviar uma sinalização de que a Vale sofre ingerência política.

A Vale é controlada pelos fundos de pensão Previ, Petros, Funcef e Fundação Cesp, reunidos na holding Litel Participações, pela BNDESPar, por Bradespar (holding do Banco Bradesco) e pela trading japonesa Mitsui. Esse grupo de acionistas está representado por meio da Valepar, dona de 53% das ações com direito a voto da companhia.

Segundo o Valor, Temer está sendo pressionado a trocar o comando da empresa, especialmente pelo PMDB de Minas Gerais, mas ainda não tem uma decisão sobre a mudança. O PMDB mineiro está à frente do movimento político pela substituição do executivo, mas segundo interlocutores do presidente interino a insatisfação com a Vale é manifestada também por outros setores, inclusive da sociedade mineira (leia mais).