Tijolaço: adiamento da revisão de meta é mau sinal econômico

Para o jornalista Fernando Brito, a razão do adiamento é uma só: "as pressões políticas para evitar a paralisação da máquina pública por conta não apenas dos cortes que ainda serão feitos quanto pelas liberações que serão necessárias para setores que estão a apenas dias de terem de parar"

Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente Michel Temer durante anuncio do pacote de medidas econômicas (Beto Barata/PR)
Brasília - Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente Michel Temer durante anuncio do pacote de medidas econômicas (Beto Barata/PR) (Foto: Gisele Federicce)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - O realinhamento da meta fiscal do Governo já está, desde a semana passada, “precificado” pelo mercado financeiro, R$ 159 bilhões de rombo para este ano e entre R$ 149 e 159 bilhões para o ano que vem.

O “rigor técnico” destes números é uma piada: trata-se apenas de ficar nominalmente abaixo da meta de R$ 159,4 fixada para o ano passado, para “provar” que o governo estaria tendo sucesso em – senão em reduzir – ao menos não aumentar o déficit público.

É, portanto, uma comédia, uma vez que só o fato de ter-se R$ 10 bilhões de receitas extras com a tributação dos combustíveis mostra que não é assim.

Agora, pela segunda vez, o Governo adia o anúncio da meta e a razão é uma só: as pressões políticas para evitar a paralisação da máquina pública por conta não apenas dos cortes que ainda serão feitos quanto pelas liberações que serão necessárias para setores que estão a apenas dias de terem de parar.

A história de que estão em estudos cortes de despesas com o funcionalismo é mais incerta que previsão do tempo.

Nas categorias que vão ficar lesadas pelo adiamento do reajuste tratado ano passado, a possibilidade de greves e de operações-tartarugas é quase inevitável.

A unificação de todas as remunerações ao limite do teto constitucional, medida justa, não tem a menor possibilidade de vingar na Justiça. O Supremo Tribunal Federal que mal conseguiu evitar a grita pelos 16,7% dos juízes e dos promotores não vai arrostar toda as categorias judiciais com a validação de uma medida que pega praticamente todos os magistrados e promotores do Brasil: mesmo aqueles – já uma minoria – que recebem abaixo do teto, com as gratificações que recebem o ultrapassam.

O adiamento do anúncio já aumentou a insegurança e os boatos de que ou o aumento do rombo será maior do que o até agora anunciado ( como desejam Romero Jucá e companhia) ou de que as medidas em que sustentarão os patamares que vinham sendo faladas sejam infactíveis.

E a novela não acaba – isso se não houver outro adiamento – amanhã.

É quase certo que haverá um desdobramento no rebaixamento da classificação pelas agências de classificação de risco que, embora errem muito, são a métrica de avaliação de investimentos de grandes bancos e fundos (que no es lo mismo, pelo es igual) que operam o investimento estrangeiro que alimenta o mercado especulativo.

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