Tragédia paralisa economia do país

Fbricas interrompem a produo e portos param de funcionar. Terremoto pode levar Japo recesso

O terremoto desta sexta-feira paralisou a economia do Japão e as consequências nesse são imprevistas. Analistas dizem que uma nova recessão no país é inevitável, principalmente porque o PIB japonês já havia recuado no quarto trimestre de 2010. O desastre pode colocar por terra os esforços do governo, e em particular do banco central do Japão, para estimular a letárgica economia japonesa. Há mais de uma década, os índices de crescimento são pífios e, em alguns anos, o PIB do país até retrocedeu. Em comunicado, o BC japonês afirmou que sua prioridade, neste momento, é garantir a estabilidade do mercado financeiro. O BC anunciou que antecipará a reunião de política monetária para segunda-feira, com decisão no mesmo dia. Os líderes políticos ligados ao governo japonês, e mesmo membros da oposição, pedem orçamento de emergência para ajudar a financiar a ajuda humanitária. O primeiro-ministro Naoto Kan pediu que os políticos "salvassem o país".

Num primeiro momento, porém, o estrago já está feito. As ações de companhias japonesas desabaram em bolsas do mundo inteiro, levando o mercado global para o menor patamar em quase seis semanas. Na economia real, os estragos podiam ser sentidos logo após a terra começar a tremer. Nesta sexta-feira, montadoras de automóveis, fábricas de eletrônicos e refinarias interromperam suas atividades. Um dos motivos foi a segurança dos funcionários. Outro foram os profundos estragos na infraestrutura do país, com estradas destruídas, portos alagados e aeroportos semi-destruídos.

Há casos também de empresas que tiveram suas instalações danificadas a ponto de não poder continuar operando. A Sony, uma das maiores exportadoras japonesas, fechou seis fábricas. "Há fábricas de carros e semicondutores no norte do Japão, portanto haverá certo impacto econômico devido aos danos nas fábricas", disse Yasuo Yamamoto, economista sênior do Mizuho Research Institute, em Tóquio. Vários aeroportos, incluindo o Narita, de Tóquio, estavam fechados, e as linhas ferroviárias, paralisadas.

Os efeitos do terremoto chegaram rapidamente às bolsas europeias, atingindo principalmente as seguradoras. A indústria de seguros terá de pagar US$ 10 bilhões para cobrir os apólices, segundo James Shuck, analista da Jefferies International, disse à Bloomberg. O especialista afirmou que o valor tornaria o desastre o segundo mais caro da história, depois dos US$ 15,3 bilhões, desembolsados com o terremoto em Northridge, EUA, em 1994, segundo dados da Swiss Re.

As ações da Munich Re caem 4,54%, da Swiss Re 4,92% e da Scor SE 7,8% na bolsa de Frankfurt. Em Londres, os papéis da Amlin desvalorizavam 5,23%. As empresas de resseguro, que trabalham como uma espécie de seguradoras para as seguradoras "primárias" que trabalham diretamente com o consumidor, ainda não divulgaram estimativas para os custos do desastre.

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