Trégua comercial entre China e Estados Unidos pressiona Brasil

A trégua comercial de 90 dias entre EUA e China alivia a tensão no mundo, mas aumenta a tensão no Brasil. Segundo Monica de Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino-americanos da John Hopkins University, "o Brasil está totalmente refém nestas negociações entre EUA e China. Nem mesmo na soja, que somos grandes produtores, temos influência na formação de preços. Se os chineses quiserem ser duros com o Brasil, ainda mais num momento em que o novo governo dá sinais de que quer maior alinhamento com os EUA, poderá substituir facilmente os fornecedores do produto"

Trégua comercial entre China e Estados Unidos pressiona Brasil
Trégua comercial entre China e Estados Unidos pressiona Brasil

247A trégua comercial de 90 dias entre EUA e China alivia a tensão no mundo, mas aumenta a tensão no Brasil. Segundo Monica de Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino-americanos da John Hopkins University, "o Brasil está totalmente refém nestas negociações entre EUA e China. Nem mesmo na soja, que somos grandes produtores, temos influência na formação de preços. Se os chineses quiserem ser duros com o Brasil, ainda mais num momento em que o novo governo dá sinais de que quer maior alinhamento com os EUA, poderá substituir facilmente os fornecedores do produto".

A reportagem do jornal O Globo destaca que "o país [o Brasil] deve fechar o ano com alta de 30% nas exportações de soja, com vendas de 80 milhões de toneladas. José Augusto de Castro, presidente da AEB [Associação de Comércio Exterior], avalia que o compromisso da China de comprar commodities dos EUA reverterá esse movimento, embora frise que o saldo da trégua é positivo, pois vinha afetando os preços dos principais produtos comercializados com a expectativa de demanda mais fraca."

O presidente da AEB ainda pondera: "num primeiro momento, é uma notícia favorável para o comércio mundial, mas gera uma preocupação. A compra maciça de produtos agrícolas dos EUA atingirá o Brasil - afirma, acrescentando que a expectativa, ainda preliminar, é que as vendas de soja recuem para 70 milhões de toneladas no ano que vem."

 

 

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