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Três grandes bancos centrais adotaram medidas de estímulo à economia

Em ação coordenada, China e Europa cortam juros, e Inglaterra injetará 50 bi de libras

Três grandes bancos centrais adotaram medidas de estímulo à economia (Foto: Divulgação)

247 – Os principais bancos centrais do mundo adotaram uma estratégia coordenada para estimular a economia. China e Europa cortam juros, e Inglaterra injetará 50 bi de libras. Leia na matéria do Globo:

FRANKFURT, LONDRES e PEQUIM — Foi uma autêntica ação coordenada. Em menos de uma hora, três grandes bancos centrais adotaram medidas de estímulo à economia, do corte de juros à injeção de recursos no sistema financeiro. Primeiro o Banco da Inglaterra, o BC britânico, anunciou que retomaria a impressão de dinheiro para comprar 50 bilhões de libras em papéis nos mercados. Essas operações, que já atingiram 325 bilhões de libras, haviam sido suspensas há dois meses. Pouco depois, o Banco Popular da China anunciava a redução de sua taxa básica de empréstimo, de 6,31% para 6%. Já as taxas de depósito caíram de 3,35% para 3%. Foi então a vez de o Banco Central Europeu (BCE) cortar sua taxa básica de 1% para 0,75%, e a de depósito passou de 0,25% para zero.

— Essas ações passam a sensação de uma campanha coordenada global de afrouxamento monetário — disse à agência de notícias Bloomberg News Nick Kounis, diretor de Pesquisa do banco holandês ABN Amro. — Os bancos centrais estão tentando conter a desaceleração sincronizada da economia global.

Com a injeção anunciada na quinta-feira, as compras do Banco da Inglaterra chegarão a 375 bilhões de libras. A instituição manteve sua taxa básica na mínima histórica de 0,5% — o mesmo patamar desde março de 2009. A economia britânica registrou retração de 0,1% no primeiro trimestre deste ano, frente ao mesmo período de 2011.

Na China, a expectativa é com a divulgação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos), no próximo dia 13. Para analistas, o BC chinês pode já saber que o PIB vai desapontar, ou então queria passar a ideia de uma ação coordenada. A medida não era esperada e, segundo especialistas, é um sinal de que o BC chinês não está mais tão preocupado com a inflação, que recuou de 6,5% em julho do ano passado para 3% em maio. As projeções para o índice de junho, a ser anunciado segunda-feira, são de 2,3%.

— As autoridades monetárias podem ter imaginado que cortar os juros no mesmo dia em que o BCE teria um impacto maior, encorajando discussões sobre uma resposta coordenada à desaceleração da economia global — disse à agência Reuters Mark Wiliams, economista da Capital Economics, referindo-se à ação do BC chinês.