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Economia

Um problema político, não fiscal

Posso estar errada, mas acredito que o teto de endividamento dos EUA será elevado na ultima hora. Para o presidente Obama o ideal é que haja um voto simples para o endividamento, incondicional

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Os Estados Unidos vivem uma situação completamente diferente da Grécia apesar de alguns analistas quererem comparar os dois países. Os Estados Unidos não estão quebrados, longe disto: o problema aqui é politico, não é fiscal. O déficit é pequeno como percentagem do GDP, Não me entenda mal, não que eu defenda a irresponsabilidade fiscal e o gasto desenfreado. Absolutamente não, e é por isto que os Republicanos me irritam tanto: porque o Governo Republicano, sob George Bush, foi irresponsável do ponto de vista fiscal (e de outros pontos de vista também, mas não vem ao caso). O debt ceiling foi aumentado 9 vezes durante o Governo Bush. Sim, os Estados Unidos tem um déficit, mas pode ser equacionado com um pouco de racionalidade, corte de despesas e aumento de receitas. Mas não é isto que o Congresso está discutindo. Na verdade , o que se vê, é uma conversa de maluco: de um lado os democratas, entrincheirados nos 3 pilares do “welfare”: medicaid, medicare e social security e de outro lado os republicanos com uma oposição ferrenha e irracional a qualquer aumento de impostos.

Tendo acompanhado por vários meses o debate, pela media escrita ou falada, cheguei à conclusão que eu estava errada: eu não entendia como alguém poderia dizer que a redução de impostos resolve o déficit e cria empregos. Qualquer pessoa que conheça um pouco de economia, e excetuando os que acreditam em mágica, sabe que os trabalhos empíricos não sustentam esta teoria. Mas agora entendi: não se trata de resolver o déficit, se trata de destruir Obama. O único objetivo dos Republicanos é garantir que o Presidente Obama não se reeleja. Seja através do questionamento da sua cidadania, da sua religião, o que eles realmente estão questionando é sua legitimidade. O único objetivo é destruir Obama e se preciso for, a economia será destruída junto. Agora entendi, custou, mas entendi.

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Posso estar errada, mas acredito que o teto de endividamento será elevado na ultima hora. Para o Presidente o ideal é que haja um voto simples para o endividamento, incondicional. Aceitar corte de gastos é o equivalente a acietar uma derrota nas próximoas eleições. Isto porque um corte de gastos ajudará a derrubar a economia que já não está em grande forma e poderá representar uma redução de até 0.5% no crescimento em 2011. Assim o Presidente Obama, começaria 2012 com uma economia com crescimento abaixo do potencial, com desemprego de quase 10% e neste cenário é até possível, em que pese à péssima qualidade dos adversários, que não se reeleja.

O Governo teria que ser mais agressivo e mostrar para a população qual a verdadeira questão que se discute: em primeiro lugar seria interessante esclarecer que o teto de endividamento tem que ser elevado porque no passado foram tomadas decisões orçamentárias sem os recursos necessários e por isto o Governo tem que se endividar, ou seja, o estrago foi feito no passado. Seria interessante também esclarecer quais as consequências do Governo não ter recursos para pagar suas obrigações e aproveitar e dar uma lição sobre escolhas que devem ser feitas. Por exemplo, o Governo deve pagar os juros para os chineses que tem títulos do tesouro ou pagar as tropas que estão no Afeganistão? O Governo deve pagar médicos e hospitais ou os agentes de imigração? Sinceramente, já pensou que legal seria não ter mais fila na imigração? Sair do avião e ir direto pegar as malas? Mas interessante ainda seria decidir o que fazer com as prisões e prisioneiros. Sem guardas, os presos nas prisões federais poderiam simplesmente ser liberados. E as fronteiras? Finalmente os mexicanos e outros poderiam entrar livremente nos Estados Unidos e trabalhar. Ah, e não podemos esquecer-nos de dar adeus aos vinhos e queijos franceses, já que sem agentes na alfandega, não haveria importação.

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Enquanto o congresso discute o que fazer para destruir a economia, a temporada de resultados das empresas vai apresentando números positivos, em alguns casos extremamente positivos. Por conta destes fatores a volatilidade no mercado acionário tem sido muito forte: alguns dias prevalecem as noticias vindas de Europa ou dos Estados Unidos e o mercado desaba. Em outros, prevalecem as noticias positivas, como por exemplo, os extraordinários ganhos da IBM ou da APPLE e o mercado sobe Em meio a este sobe e desce o pequeno e médio investidor fica confuso, pode reagir em pânico e vender levado pelo medo ou comprar levado pela euforia. Se você tem coração para ignorar as notícias e se concentrar no longo prazo continue como está. Daqui a alguns anos estas empresas ainda estarão produzindo e se Deus quiser Eric Cantor, Michelle Bachmann e John Boehner só serão lembrados como parte de um pesadelo. Se não tem coração, faça como George Soros e fique com a maioria dos seus recursos em cash, esperando os acontecimentos.

Gostaria de terminar com as palavras de um homem sábio:

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“Infelizmente, o Congresso consistentemente leva o Governo para uma situação de default em vez de assumir sua responsabilidade. Esta estratégia ameaça os detentores de títulos do Governo e aqueles que precisam dos benefícios do Seguro Social e de aposentadorias. As taxas de juros podem explodir, o Mercado financeiro se desestabilizará e o déficit aumentará. Os Estados Unidos tem a responsabilidade para consigo e com o mundo de cumprir suas obrigações. Isto significa que temos uma reputação e credibilidade a proteger, duas coisas que nos diferenciam de grande parte do resto do mundo.” Reagan, Set 1987.

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