US$ 197 mil viram pó entre Itaú-Fairfield-Madoff

Extrato cruel: US$ 197.999,94 viraram 0,00; mais um cliente que foi lona por aplicar em banco brasileiro no fundo preferido do fraudador Bernard Madoff vai Justia por indenizao

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Marco Damiani, 247_ Esse sim foi um dinheiro que virou pó. Ao pedir um extrato de sua aplicação no fundo de investimentos Fairfield Sentry, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no qual aplicou US$ 197.999,94 a partir de uma agência do banco Itaú, em São Paulo, o cliente 5003699 levou um choque. Nas cinco linhas abaixo do título Detalhes do Portfolio, ele descobriu que o “Valor de mercado/Preço de mercado” de sua aplicação em dezembro de 2008, equivalente à compra de 153.6496 cotas, era de “0,00”. Centavo por centavo, todos os seus dólares, que ali estavam em outubro do mesmo ano, haviam ido parar, entre parênteses, na rubrica “Ganhos/Perdas não realizados”. Não sobrou nada.

Entrava na fila, naquele momento, mais um aplicador prejudicado pelas fraudes financeiras de Bernard Madoff, o ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq que hoje cumpre pena de 150 anos de prisão, nos Estados Unidos, como operador do maior golpe já registrado contra o sistema financeiro mundial.

O Fairfield Sentry era o maior fundo de investimentos com o qual Madoff operava. O prejuízo, ali, é estimado em US$ 7,5 bilhões.

No Brasil, o Itaú foi uma das conexões entre investidores brasileiros, o Farfield e Madoff, ao oferecer a seus clientes a possibilidade de aplicar no fundo sediado nas lhas Virgens. “Muitos gerentes recomendavam o Fairfield para seus clientes preferenciais”, diz o advogado Paulo Morais, autor da ação que, na semana passada, resultou na condenação do Itaú, pela 9ª Vara Cível de São Paulo, a ressarcir um cliente que perdera R$ 176,8 mil no mesmo circuito.

Agora, o aplicador 5003699 do mesmo Itaú também quer do banco o seu dinheiro de volta. “O extrato em língua portuguesa é mais uma prova de que o banco tinha inteira responsabilidade sobre a aplicação”, diz o advogado Morais, que também está representando o aplicador que perdeu US$ 197.999,94. “Ele não quer se identificar publicamente, mas irá até o final com a ação”, completa, explicando que a legislação brasileira permite aplicações na moeda americana por meio de instituições financeiras brasileiras.

Em razão do sucesso que obteve com a primeira ida à Justiça, Morais também foi procurado por outro investidor que também perdeu cerca de US$ 200 mil em aplicações no Fairfield, feitas por meio do banco Safra, em São Paulo. “Os bancos não podem se eximir da responsabilidade de terem induzido esses clientes ao erro e ao prejuízo”, diz Morais. O Itaú firmou posição, divulgada por sua assessoria de imprensa, de não fazer comentários sobre o assunto.

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