"Vai quebrar a cara quem apostar na alta do dólar"

Alerta é do ministro Guido Mantega (Fazenda), argumentando que o país tem US$ 380 bilhões para segurar a cotação da moeda norte-americana; engajado na reeleição de Dilma Rousseff, Mantega voltou a criticar Armínio Fraga (que seria seu substituto caso o senador Aécio Neves vença a eleição), a quem acusa de trabalhar em favor de banqueiros e de seguir um manual neoliberal ortodoxo; para ele, Brasil deve crescer mais de 2% daqui em diante

Data: 29/08/2011
Editoria: Financas
Reporter: Ribamar Oliveira
Local: Auditorio do Ministerio da Fazenda em Brasilia.
Pauta: Ministro da Fazenda anuncia aumento da meta de superavit primario do governo para R$91 bilhoes.
Tags:  Fazenda, anuncio, meta
Data: 29/08/2011 Editoria: Financas Reporter: Ribamar Oliveira Local: Auditorio do Ministerio da Fazenda em Brasilia. Pauta: Ministro da Fazenda anuncia aumento da meta de superavit primario do governo para R$91 bilhoes. Tags: Fazenda, anuncio, meta (Foto: Realle Palazzo-Martini)

247 - O ministro da Fazenda Guido Mantega afirma categoricamente que vai quebrar a cara quem apostar numa disparada do dólar e na queda da Bolsa em caso de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele confrontou em entrevista à TV Folha analistas de mercado que preveem um cenário turbulento em caso de continuidade do governo da petista. Apostas desses analistas são de que o valor do dólar possa superar os R$ 3.

Para Mantega, não há motivo para uma elevação do dólar e que quem acredita em rali contra o câmbio vai quebrar a cara já que o país tem US$ 380 bilhões de reservas. “Somos poderosos nessa área. Não tem razão para fazer rali, mesmo porque a política que nós vamos praticar está clara, não tem mistério. E acredito que é uma política que interessa a todos, à maioria da população”, declarou.

Ministro da Fazenda mais longevo (ele ocupa o cargo há oito anos e meio), Mantega se engajou na eleição e teceu críticas ao economista Armínio Fraga, que seria seu substituto caso o senador Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, a quem acusa de trabalhar em favor de banqueiros e de seguir um manual neoliberal ortodoxo: "É só ver a prática que os ortodoxos fazem no mundo todo. Ajuste fiscal mais duro, mais rigoroso, mais rápido, significa você derrubar a economia, causar uma recessão. Isso está no manual deles. Se ele mudou, não sei."

Questionado se poderia ter feito algo de diferente durante sua gestão, o ministro disse reconheceu que pode ter cometido “erros de calibragem”, mas reforçou que no essencial o governo acertou, fazendo uma política anticíclica e desenvolvimentista. “O que prova isso é que a economia brasileira gerou emprego, está com um dos menores níveis de desemprego. Portanto, a população brasileira não pagou o preço da crise”, argumenta.

Sobre a adoção do que a oposição classifica como “contabilidade criativa”, Mantega rebate afirmando que o Tribunal de Contas da União (TCE) ainda não fez nenhum reparo nas contas do governo, auditadas de forma muito rigorosa. “Eu só pedalei quando andei de bicicleta, dei umas pedaladas”, disse, negando a prática de pedalada fiscal (prática irregular de atrasar pagamentos, diminuindo artificialmente as despesas do governo e melhorando as contas do Tesouro Nacional).

O ministro, que deve deixar o cargo mesmo na hipótese da reeleição de Dilma, aposta que o crescimento desse terceiro trimestre deva ser de 0,5%, o que resultaria em evolução de mais que 2% daqui para a frente.” Esse é nosso ritmo: 2%. No segundo semestre estamos em recuperação, que foi fraca no primeiro. Isso significa que podemos manter o nível de emprego e que podemos entrar 2015 com essa trajetória de crescimento. Teremos uma inflação mais acomodada”, projeta.

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