Valdemar abriu as portas do governo para Cavendish

O dono da Delta no conseguia entrar no bilionrio Dnit, mas a amizade com o deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP) garantiu a ele bilhes em obras virias; em retribuio, os dois foram juntos a Roland Garros em 2005 e se tornaram amigos ntimos

Valdemar abriu as portas do governo para Cavendish
Valdemar abriu as portas do governo para Cavendish (Foto: Divulgação)
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247 – Na terra batida de Roland Garros, em Paris, onde Guga já havia reinado, Rafael Nadal conquistou seu primeiro título em 2005. Venceu o suíço Roger Federer na semifinal e atropelou o argentino Mariano Puerta na grande decisão. Do camarote, o show do espanhol era acompanhado de perto por dois personagens: o deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), que é tenista amador, e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta.

Cavendish fazia de tudo para cortejar o deputado. Valdemar era “dono” do Ministério dos Transportes e, por consequência, do bilionário Dnit, órgão encarregado pelas obras viárias em todos os estados do País. Foi ele quem abriu as portas do governo federal para o empreiteiro que, anos depois, se tornaria o maior recebedor de verbas do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Só no ano passado, a Delta levou R$ 884 milhões.

Cavendish se vê agora constrangido pelas declarações que fez numa reunião da própria Delta, nas quais dizia que, dando R$ 30 milhões para um político ou R$ 6 milhões para um senador, dava para conseguir “coisa pra caramba”. Em nota, ele disse ter dito apenas uma bravata e afirmou ter profundo respeito pelas instituições brasileiras e pelos representantes da classe política.

Mas sua empresa, a Delta, parece estar com os dias contados. Nesta segunda-feira, o vídeo de Cavendish, que já havia sido mostrado no 247, foi também exibido no Jornal Nacional. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) garantiu que o empreiteiro será uma das primeiras pessoas a ser convocadas pela CPI que irá investigar as atividades de Carlos Cachoeira, provável sócio da Delta. E o governo federal não terá outra escolha a não ser declarar a empresa inidônea, a exemplo do que foi feito em 2007 com a Gautama, alvo de outra operação da Polícia Federal, a Navalha.

Cavendish, provavelmente, será banido de futuras licitações. Mas será que desta vez Valdemar Costa Neto será punido? Ele é a prova viva de que pode haver uma conexão direta entre o mensalão e o caso Carlos Cachoeira – ainda que os protagonistas de um escândalo acusem os astros do outro de tentarem criar cortinas de fumaça.

Será este o match-point para a Delta?

 

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