Yuan desafia sistema financeiro mundial, diz presidente da Câmara de Comércio Brasil-China

Nesta quinta-feira (6), a mineradora chinesa Baoshan Iron & Steel Co Ltd anunciou o fechamento de um acordo milionário em yuanes com a mineradora brasileira Vale. A Sputnik Brasil ouviu empresário que explicou como esse acordo reflete os interesses estratégicos chineses

(Foto: Aleksandr Demyanchuk/Sputnik)
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247 - O acordo empresarial sino-brasileiro, anunciado nesta quinta-feira (6), gira em torno da compra de minério de ferro e foi fechado no valor de 330 milhões de yuanes, o que equivale a R$ 200 milhões. O tipo e a quantidade do produto ainda não foram anunciados.

A mineradora chinesa passou a fechar acordos em Yuan desde 2019 e já celebrou contratos com países como a Ucrânia e a África do Sul. Tal mudança de direção não é isolada e pode apontar um movimento estratégico da China, informa o site Sputnik.

Sobre esse acordo, a Sputnik Brasil ouviu Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC). Para ele, o acordo na moeda chinesa faz parte de uma política nacional da China.

"O governo chinês tem desejado transformar o Yuan em uma moeda internacional. Da mesma forma a China vai lançar o petroyuan, inclusive lastreado por ouro. A China está comprando, como sabem, muito ouro e mineração no mundo", aponta Tang em entrevista à Sputnik Brasil.

Tang também imagina que a forma como a economia chinesa tem se comportado aponta que o país deve continuar ampliando o número de negócios fechados utilizando a moeda chinesa.

"Acho que pelo tamanho da economia chinesa, pela solidez da economia chinesa e da moeda chinesa, não há nenhuma razão para que mais negócios e transações entre o mundo e a China não sejam feitos em Yuan", acrescenta.

O presidente da CCIBC destaca que o esforço chinês tenta deslocar o centro do sistema financeiro internacional, ainda focado no eixo de Breton Woods, que data do final da 2ª Guerra Mundial.

"Isso levou o presidente [chinês] Xi Jinping a tomar umas iniciativas bastante ousadas e visionárias", explica.

Tang cita como exemplo desse esforço a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS e o Banco de Investimento de Infraestrutura Asiático.

"Esses bancos, basicamente criados pelos países em desenvolvimento, entendem muito mais sobre as necessidades dos países emergentes do que os países ricos entendiam", avalia, acrescentando que a Rússia já não investe mais suas reservas em títulos norte-americanos.

Apesar do crescimento da importância da economia chinesa, o presidente da CCIBC ressalta que fatores como a renda per capita mantêm a China como um país em desenvolvimento.

O acordo em Yuan feito com a Vale segue o roteiro do esforço por mais negócios na moeda chinesa, mas também reflete outros interesses chineses. A China segue sendo a maior consumidora de minério de ferro do mundo e busca maior controle sobre o preço da commoditie de forma a proteger seu mercado interno, segundo a Reuters.

O acordo com a Vale não foi o primeiro da empresa a ser celebrado na moeda chinesa, sendo que em janeiro deste ano, a empresa fechou um contrato de 200 milhões de yuanes (R$ 121 milhões) com o Grupo HBIS, a maior siderúrgica da China.

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